CIÊNCIA
Dia Internacional da Mulher na Ciência destaca legado feminino e desafios por igualdade
Data criada pela ONU reforça importância da representatividade e combate ao chamado “Efeito Matilda”
11/02/2026
09:00
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Mulheres ainda são minoria na pesquisa científica mundial, apesar de contribuições históricas decisivas
Quando se pensa em ciência, nomes como Albert Einstein, Isaac Newton, Charles Darwin, Nikola Tesla e Stephen Hawking costumam vir à mente. No entanto, esse cenário tem mudado gradualmente desde o século 19, com o reconhecimento crescente da contribuição feminina para o avanço científico.
O Dia Internacional da Mulher na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, foi instituído oficialmente pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 22 de dezembro de 2015, durante fórum mundial sobre saúde e desenvolvimento da mulher. A data busca ampliar a participação feminina nas áreas científicas e dar visibilidade a pesquisadoras que historicamente tiveram seus trabalhos ignorados ou atribuídos a homens.
Esse fenômeno é conhecido como “Efeito Matilda”, termo criado para denunciar situações em que descobertas feitas por mulheres são creditadas a pesquisadores do sexo masculino ou têm sua relevância minimizada. A expressão homenageia a sufragista norte-americana Matilda Joslyn Gage, defensora dos direitos das mulheres no século 19 e figura importante para o progresso feminino também no campo científico.
Apesar dos avanços, a desigualdade ainda persiste. Dados da ONU indicam que cerca de 28% dos pesquisadores no mundo são mulheres, percentual considerado baixo diante da relevância histórica de cientistas que transformaram diferentes áreas do conhecimento.
Entre os principais nomes femininos da ciência está Ada Lovelace, matemática britânica reconhecida como a primeira programadora da história. No século 19, ela desenvolveu um algoritmo para a máquina analítica de Charles Babbage, base conceitual da computação moderna. Em sua homenagem, uma linguagem de programação criada em 1982 recebeu o nome Ada, e o Ada Lovelace Day celebra anualmente mulheres na tecnologia.
Outra referência é Marie Curie, física e química nascida na Polônia, responsável pela descoberta dos elementos rádio e polônio e pela criação do termo radioatividade. Ela foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a única pessoa a conquistar a premiação em duas áreas científicas distintas: Física e Química.
Rosalind Franklin também deixou contribuição fundamental ao revelar estruturas do DNA, do RNA e de vírus por meio de imagens de difração de raios X. Seu trabalho foi reconhecido amplamente apenas após sua morte, tornando-a símbolo das injustiças enfrentadas por mulheres na ciência.
Na área aeroespacial, Katherine Johnson se destacou pelos cálculos matemáticos que permitiram missões orbitais e a chegada do homem à Lua. Primeira mulher negra a ter pesquisas reconhecidas pela NASA, enfrentou segregação racial e tornou-se referência mundial de superação e excelência científica.
No Brasil, a médica psiquiatra Nise da Silveira revolucionou o tratamento em saúde mental ao defender abordagens humanizadas e terapias expressivas, rompendo com métodos agressivos então utilizados. Sua atuação garantiu reconhecimento internacional e transformou a psiquiatria brasileira.
Mesmo com trajetórias marcantes, especialistas apontam que a ampliação da presença feminina na ciência ainda é um desafio. A valorização de pesquisadoras, o incentivo à formação de meninas em áreas científicas e o combate às desigualdades estruturais seguem como passos essenciais para um futuro mais inclusivo na produção do conhecimento.
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