SAÚDE E ALIMENTAÇÃO
Especialista explica por que “calorias negativas” são mito na nutrição
Ideia popular nas redes sociais não tem base científica e pode gerar falsas expectativas sobre emagrecimento
10/04/2026
09:25
METRÓPOLES
MARIA GORETI
Alimentação equilibrada com fibras e proteínas é mais eficaz para emagrecimento do que mitos sobre calorias negativas @Divulgação
Em meio à circulação de dicas sobre como “ativar o metabolismo” e promessas de emagrecimento rápido, especialistas alertam que a ideia de alimentos com “calorias negativas” não passa de um mito. Apesar de ter origem em um conceito real da nutrição, a lógica de que certos alimentos fariam o corpo gastar mais energia do que fornecem não se sustenta na prática.
Segundo a nutricionista esportiva Vanessa Mara Lodi, o que existe de fato é o chamado efeito térmico dos alimentos, que corresponde à energia que o organismo utiliza para mastigar, digerir e absorver os nutrientes.
Esse gasto faz parte do metabolismo e representa, em média, entre 5 por cento e 15 por cento das calorias ingeridas, variando conforme o tipo de alimento. As proteínas, por exemplo, exigem maior esforço do organismo durante a digestão, podendo demandar entre 20 por cento e 30 por cento da energia que fornecem.
Ainda assim, isso não significa que esses alimentos gerem um saldo calórico negativo. Ou seja, o corpo até gasta energia no processo digestivo, mas não a ponto de “anular” as calorias consumidas.
O mito ganhou força principalmente por causa de alimentos com baixa densidade calórica, como aipo, pepino, alface, repolho e abobrinha. Por terem alto teor de água e fibras, eles promovem saciedade com poucas calorias e ajudam no controle da fome.

De acordo com a especialista, esses alimentos contribuem para o emagrecimento não por queimarem gordura, mas por substituírem opções mais calóricas no dia a dia e ajudarem a manter uma alimentação equilibrada.

Entre os principais aliados de uma dieta saudável estão proteínas magras, como ovos, frango, peixe e iogurte natural, além de alimentos ricos em fibras, como aveia, frutas, verduras, legumes e grãos. Alimentos com alto teor de água também são indicados por aumentarem a saciedade.

Já os chamados termogênicos, como café, gengibre, pimenta e chá verde, podem até contribuir para um leve aumento do gasto energético, mas têm efeito limitado e não promovem emagrecimento significativo de forma isolada.
A recomendação dos especialistas é priorizar uma alimentação equilibrada, com comida de verdade, boa ingestão de proteínas e fibras e redução de alimentos ultraprocessados. Estratégias radicais, como dietas extremamente restritivas ou a busca por soluções rápidas, tendem a não trazer resultados duradouros.
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