IMPOSTO DE RENDA 2026
Nova tabela do IR entra em vigor com isenção para quem ganha até R$ 5 mil
Mudanças começaram em janeiro, reduzem imposto até R$ 7.350 e criam tributação mínima para alta renda
07/01/2026
07:45
REDAÇÃO
Nova regra do Imposto de Renda amplia a faixa de isenção e altera a tributação para rendas mais altas. © Marcello Casal JrAgência Brasil
Em vigor desde 1º de janeiro, a nova tabela do Imposto de Renda 2026 trouxe mudanças significativas para milhões de contribuintes em todo o país. A principal novidade é a isenção total do imposto para quem recebe até R$ 5 mil por mês, além da redução gradual da carga tributária para rendas mensais de até R$ 7.350.
A tabela tradicional do Imposto de Renda permanece a mesma de 2025. A diferença está na aplicação de redutores adicionais criados pela reforma do IR, que funcionam em conjunto com a tabela mensal já existente. As alterações valem para salários pagos a partir de janeiro, com impacto percebido nos contracheques a partir de fevereiro, e serão refletidas na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2027, referente ao ano-calendário de 2026.
Com a nova regra, ficam totalmente isentos do IR trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil. No entanto, quem possui mais de uma fonte de renda deverá verificar a soma dos ganhos, podendo haver necessidade de complemento do imposto na declaração anual.
Para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o imposto é reduzido de forma gradual. Quanto mais próxima a renda estiver de R$ 5 mil, maior será o desconto aplicado. À medida que o valor se aproxima de R$ 7.350, o benefício diminui, sendo extinto para rendas superiores a esse limite. A regra também se aplica ao pagamento do 13º salário.
Até R$ 5 mil, a redução pode chegar a R$ 312,89, zerando o imposto. Para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o redutor é calculado pela fórmula R$ 978,62 menos 0,133145 vezes a renda mensal. Acima de R$ 7.350,01, não há redução adicional.
Na apuração anual, também foram criadas regras de isenção e redução. Contribuintes que ganharem até R$ 60 mil em 2026 terão isenção total. Para rendas entre R$ 60.000,01 e R$ 88,2 mil, haverá redução gradual do imposto. Acima desse valor, não há desconto adicional. O redutor anual é limitado ao imposto devido, não gerando restituição extra.
Para compensar a perda de arrecadação, a reforma criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo, voltado a contribuintes de alta renda. Entram na regra pessoas com renda anual acima de R$ 600 mil, com alíquota progressiva de até 10%. Para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão por ano, a alíquota mínima efetiva será de 10%. A estimativa do governo é que cerca de 141 mil contribuintes sejam impactados.
No cálculo do imposto mínimo entram salários, lucros e dividendos e rendimentos de aplicações financeiras tributáveis. Ficam fora da base de cálculo a poupança, LCI, LCA, fundos imobiliários, Fiagro, heranças, doações, indenizações por doença grave, entre outros rendimentos isentos. A apuração do imposto mínimo ocorrerá apenas a partir da declaração de 2027.
Outra mudança relevante é a tributação de dividendos. Haverá retenção de 10% na fonte quando os dividendos pagos por uma única empresa à pessoa física ultrapassarem R$ 50 mil por mês. O imposto poderá ser compensado na declaração anual. A medida atinge principalmente sócios e empresários de alta renda, já que a maioria dos investidores não será afetada.
Dividendos referentes a lucros apurados até 2025 só permanecem isentos se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025, ponto que pode gerar questionamentos judiciais.
As principais deduções do Imposto de Renda permanecem inalteradas, como o valor por dependente, o desconto simplificado mensal, as despesas com educação dentro do limite anual e o desconto simplificado na declaração anual.
Segundo o governo federal, cerca de 16 milhões de contribuintes devem ser beneficiados pelas novas regras. O custo estimado da medida é de R$ 31,2 bilhões, compensado pela criação do imposto mínimo para alta renda e pela tributação de dividendos elevados.
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