SAÚDE PÚBLICA
Vacina da dengue do Butantan começa a ser aplicada a partir do dia 17
Imunização em dose única será destinada à população de 15 a 59 anos em cidades-piloto
08/01/2026
08:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, primeira do mundo em dose única, começa a ser aplicada pelo SUS a partir do dia 17. Foto: Instituto Butantan/Divulgação
O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciará, a partir do dia 17 de janeiro, a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A estratégia inicial contempla moradores de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. Já em Botucatu, no interior de São Paulo, a vacinação terá início no dia 18.
A imunização será destinada à população com idade entre 15 e 59 anos. A proposta do Ministério da Saúde é avaliar os resultados a partir da vacinação de pelo menos 50% dos moradores desses municípios, considerados estratégicos para o início da nova etapa de combate à dengue no país.
Segundo o ministério, parte das primeiras 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan será utilizada nessa fase inicial. O primeiro lote também será direcionado aos profissionais da atenção primária que atuam nas unidades básicas de saúde.
Com o aumento gradual da produção, impulsionado pela parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a estratégia de imunização será ampliada para outras regiões do Brasil. A previsão é iniciar a expansão pela população de 59 anos e avançar progressivamente até os 15 anos, conforme a disponibilidade de doses.
Atualmente, o SUS já oferece uma vacina contra a dengue produzida no Japão, aplicada em duas doses, destinada exclusivamente a adolescentes de 10 a 14 anos. A vacina do Butantan, no entanto, é a primeira do mundo em dose única aprovada para uso em larga escala.
Estudos recentes divulgados pelo Instituto Butantan apontam que o imunizante é capaz de reduzir a carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue, além de manter eficácia contra os diferentes genótipos que circulam no Brasil. Os dados foram publicados pela revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
A pesquisa analisou amostras de 365 voluntários que apresentaram dengue sintomática entre os anos de 2016 e 2021, em 14 estados brasileiros. A comparação entre grupos vacinados e não vacinados mostrou que, mesmo nos casos em que houve infecção após a vacinação, a carga viral foi significativamente menor entre os imunizados, o que tende a resultar em quadros menos graves da doença.
A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a análise de dados de cinco anos de acompanhamento de cerca de 16 mil voluntários que participaram dos ensaios clínicos. Na faixa etária de 12 a 59 anos, indicada pela agência reguladora, o imunizante apresentou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra formas graves da dengue e casos com sinais de alarme.
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