CASO ELIZA SAMUDIO
Mistério sobre passaporte encontrado em Portugal é esclarecido 15 anos após o crime
Documento pertenceu à modelo, foi perdido durante viagem ao exterior e reacendeu dor da família ao voltar ao noticiário
08/01/2026
08:25
REDAÇÃO
Eliza Samudio desapareceu em 2010; passaporte perdido em viagem a Portugal foi encontrado 15 anos depois. Reprodução/Internet.
O mistério em torno do passaporte de Eliza Samudio, localizado recentemente em Portugal, foi esclarecido nesta quarta-feira (7) pela advogada da família, Maria do Carmo Santos. Segundo ela, o documento realmente pertenceu à modelo e foi perdido durante uma viagem ao país europeu, ainda em 2007, três anos antes de seu desaparecimento e assassinato no Brasil.
O passaporte foi encontrado por um homem em um apartamento em Portugal e entregue ao Consulado-Geral do Brasil. A descoberta causou grande repercussão, já que ocorre 15 anos após o desaparecimento de Eliza e quase uma década e meia depois de ela ter sido considerada morta pela Justiça brasileira.
De acordo com a advogada, ao perder o passaporte em território português, Eliza precisou procurar o Consulado brasileiro para obter uma autorização especial de retorno ao Brasil. “Quando uma pessoa perde o passaporte no exterior, precisa explicar a situação à embaixada, que emite uma declaração. Ela voltou ao Brasil em novembro de 2007 após receber essa autorização”, explicou Maria do Carmo.
Ainda segundo a representante legal, Eliza realizou uma segunda viagem internacional cerca de um ano depois, novamente para Portugal e também para outro país europeu. Esse período, inclusive, ficou marcado por registros na mídia, quando a modelo chegou a ser fotografada ao lado do jogador Cristiano Ronaldo.
O documento encontrado está vencido e cancelado e agora será encaminhado ao Itamaraty, no Brasil, onde ficará à disposição da família. Até o momento, não há informações oficiais sobre como o passaporte foi parar no apartamento onde foi localizado.
A divulgação do caso, no entanto, causou forte impacto emocional nos familiares de Eliza. A advogada afirmou que a repercussão foi recebida como uma “crueldade”, por reabrir feridas profundas e expor novamente a memória da modelo e a história de seu filho, Bruninho Samudio, que convive diariamente com as consequências do crime. A família solicitou acesso ao documento e pede apuração para esclarecer as circunstâncias em que ele foi encontrado.
Enquanto o caso voltava aos holofotes, outra declaração chamou atenção. Em entrevista recente ao canal Cartoloucos, Sônia Moura, mãe de Eliza e avó de Bruninho, revelou um posicionamento surpreendente sobre uma possível relação futura entre o neto e o pai, o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato da modelo.
Segundo Sônia, apesar da dor e da tragédia, ela orienta o neto a agir com ética e humanidade. “Se um dia ele precisar de você, a gente não sabe do dia de amanhã. A velhice chega para todos. Ajude. Faça o contrário do que ele fez. Não pague com a mesma moeda”, relatou a avó, destacando a importância de romper ciclos de violência e ressentimento.
O caso Eliza Samudio chocou o país em 2010. A jovem desapareceu aos 25 anos após ser levada à força do Rio de Janeiro para um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela foi mantida em cárcere privado e posteriormente entregue ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a asfixiou e ocultou o corpo, jamais localizado.
Eliza era mãe de um bebê recém-nascido, filho do então goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, que à época se recusava a reconhecer a paternidade. A criança foi encontrada com terceiros em Ribeirão das Neves, na Grande BH, e hoje é criada pela avó materna.
Quinze anos depois, a reaparição de um simples documento reacendeu a memória de um dos crimes mais emblemáticos do país, trazendo à tona não apenas detalhes do passado, mas também a dor contínua de uma família que ainda busca respeito, justiça e preservação da memória de Eliza Samudio.
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