SAÚDE E CIÊNCIA
Anvisa autoriza estudo clínico com medicamento para tratamento de lesões na medula espinhal
Pesquisa com a substância polilaminina é considerada promissora e pode representar avanço histórico para pacientes e familiares
06/01/2026
08:00
REDAÇÃO
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, anunciam autorização para estudo clínico da polilaminina em Brasília. © Valter Campanato/Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico que irá avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento do trauma raquimedular agudo, condição caracterizada por lesões na medula espinhal ou na coluna vertebral. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (5), em Brasília.
Durante a apresentação da autorização, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pesquisa representa um marco importante para pessoas que sofreram lesões medulares e para suas famílias. Segundo ele, cada avanço científico renova a esperança de recuperação e melhora da qualidade de vida dos pacientes.
A polilaminina é fruto de uma pesquisa com tecnologia 100% nacional, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália. De acordo com o ministro, estudos anteriores já demonstraram resultados promissores na recuperação de movimentos.
Nesta primeira fase, o estudo será realizado com cinco pacientes voluntários que tenham sofrido lesões agudas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10. Os participantes deverão ter indicação cirúrgica ocorrida em até 72 horas após a lesão. Os locais onde o estudo será conduzido ainda serão definidos pela empresa responsável.
O Ministério da Saúde informou que investiu recursos ao longo da estruturação do projeto, especialmente na fase de pesquisa básica, reforçando o apoio à ciência nacional e à inovação no setor da saúde.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, explicou que a autorização do estudo clínico foi priorizada pelo comitê de inovação da agência, com o objetivo de acelerar pesquisas e registros de amplo interesse público. Segundo ele, trata-se de uma iniciativa que fortalece a ciência e a saúde no Brasil.
A pesquisa com a proteína polilaminina, presente em diversos animais e também nos seres humanos, tem como foco principal avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico. A empresa patrocinadora será responsável por monitorar e avaliar todos os eventos adversos, inclusive os não graves, assegurando a proteção dos participantes do estudo.
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