PNEFA
Fórum debate caminhos para consolidar status livre de aftosa sem vacinação e conquistar mercados premium
Para produtores e especialistas, esta nova fase exige vigilância, rastreabilidade e união do setor para avançar em mercados exigentes como Japão e Coreia do Sul
27/11/2025
14:25
ASSECOM
Os desafios para manter o status sanitário recém-conquistado e as oportunidades de acessar novos mercados globais marcaram as principais questões debatidas no VIII Fórum do PNEFA – Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa. Realizado na manhã desta quinta-feira (27), o encontro foi o primeiro após o Brasil receber da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) a certificação internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, um marco que reposiciona a pecuária brasileira e abre caminho para maior competitividade, segurança e valor agregado.
O evento, promovido no auditório da Famasul, reuniu produtores, técnicos, especialistas e entidades do setor para discutir as responsabilidades e oportunidades que surgem nesta nova fase. Realizado pelo Senar/MS, Famasul e Comitê Gestor do PNEFA-MS, com apoio da Iagro, Semadesc e MAPA, o fórum reforçou que o compromisso agora é manter o status sanitário, fortalecer a vigilância no campo e preparar o setor para atender mercados mais exigentes.
O presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, destacou o trabalho de biosseguridade desenvolvido pelo Senar/MS e ressaltou que a certificação representa tanto uma conquista quanto uma responsabilidade. “Trabalhamos intensamente na orientação aos produtores, e agora o desafio é manter o status. Precisamos abrir novos mercados, fortalecer ações conjuntas e garantir que o Brasil não fique dependente de apenas um destino comercial”, afirmou.
O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, reforçou que a manutenção do status depende diretamente da participação do produtor rural. “O produtor precisa confiar na Iagro e no governo. Para manter o status, é essencial que o produtor notifique qualquer suspeita no rebanho. A vigilância é ativa, mas também passiva quando o produtor observa e comunica o serviço veterinário oficial”, destacou.
Ingold também lembrou que o status sanitário amplia oportunidades comerciais não apenas para a bovinocultura, mas também para a suinocultura, que agora ganha novas possibilidades de exportação.
Outro ponto enfatizado foi a identificação individual de bovinos e búfalos, ação prevista no Plano Nacional de Identificação e Rastreabilidade. Segundo ele, a rastreabilidade tem prazos e procedimentos a serem cumpridos por todos os produtores, fortalecendo o controle sanitário e a credibilidade internacional do país.
Busca pelo cenário internacional
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, apresentou uma análise sobre o impacto global do novo status. “Essa é uma conquista enorme dos produtores. Agora, além de trabalhar para manter o status, precisamos olhar para os novos mercados que se abrem. Países como Japão e Coreia do Sul, que são grandes e exigentes, reconhecem esse certificado e pagam mais pela carne”, explicou.
Segundo Mori, o Brasil passa a negociar em ‘outro patamar’, posicionando a carne bovina brasileira em uma prateleira premium. Ela também detalhou a atuação da CNA para abrir e defender mercados, com escritórios internacionais em Dubai, Xangai, Singapura e Bruxelas, e ações contra campanhas de desinformação que atingem a imagem da carne brasileira.
“O futuro é muito promissor. A abertura comercial tem avançado, e esperamos resultados já nos próximos anos”, afirmou.
Bertoni ressaltou o interesse crescente de países como o Japão e o avanço de acordos, como o Mercosul–União Europeia, que podem ampliar o acesso e gerar mais valor para a pecuária de MS.
No mercado interno, o presidente da Famasul explicou que a produção segue estável e que, mesmo com a redução do rebanho, o Estado aumentou a eficiência de abate, equilibrando oferta e preço.
MS vive momento histórico na pecuária e na economia
O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, reforçou a importância de manter um programa permanente de vigilância sanitária e apresentou dados que mostram a relevância da pecuária para a economia de Mato Grosso do Sul.
Segundo ele, o Estado registrou PIB de R$ 184,4 bilhões (IBGE 2023), com a segunda maior taxa de crescimento do país e desempenho quatro vezes superior à média nacional.
Na pecuária, Verruck destacou a ‘revolução silenciosa’, com redução de área de pastagens, manutenção do rebanho e aumento de animais abatidos, resultado direto do uso de tecnologia e inovação nas propriedades.
Em 2024, a carne bovina foi o 3º produto mais exportado por MS, e o Estado ocupou a posição de 4º maior exportador nacional.
“Precisamos olhar para os riscos mundiais e manter esse setor competitivo e seguro. O status sanitário é uma conquista, mas também uma responsabilidade contínua”, ressaltou.
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