Campo Grande (MS), Sábado, 14 de Fevereiro de 2026

SAÚDE / TECNOLOGIA CONTRA A DENGUE

Fábrica de mosquitos oferece tecnologias para redução da dengue

Instalação em Campinas pode proteger até 100 milhões de pessoas por ano

05/10/2025

11:35

REDAÇÃO

Biofábrica em Campinas produz tecnologias de combate ao mosquito Aedes aegypti e pode abastecer ações em todo o país © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um complexo de fabricação de mosquitos foi inaugurado na última quinta-feira (2) em Campinas (SP), com tecnologias avançadas para combater a dengue. A unidade terá capacidade para produzir até 190 milhões de ovos de mosquitos com Wolbachia por semana, número suficiente para proteger até 100 milhões de pessoas anualmente.

A nova fábrica da Oxitec Brasil também passa a produzir a linha Aedes do Bem, que pode reduzir em até 95% as populações do mosquito Aedes aegypti em comunidades urbanas. Ambas as tecnologias são reconhecidas por sua eficácia no controle biológico do vetor e serão utilizadas conforme protocolos distintos, dependendo da necessidade de supressão ou imunização da população de mosquitos.

A inauguração atende ao apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) por soluções inovadoras no combate a vetores de doenças. A expectativa é de que, com a aprovação da Anvisa, a produção possa abastecer campanhas de saúde pública já na atual temporada de calor e chuvas, período propício à proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

A biofábrica foi construída com recursos privados e não depende de financiamento governamental para operar. Os mosquitos com Wolbachia são indicados para campanhas públicas em larga escala, enquanto o Aedes do Bem pode ser usado por particulares, empresas ou municípios em ações localizadas.

A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em 60% dos insetos, mas ausente no Aedes aegypti. Ao ser introduzida nesse vetor, impede que ele transmita vírus. Já o Aedes do Bem consiste na liberação de machos geneticamente modificados, cuja prole fêmea morre ainda na fase larval, promovendo redução populacional.

Segundo a diretora-executiva da Oxitec Brasil, Natalia Verza Ferreira, as duas tecnologias são complementares, mas não devem ser usadas simultaneamente. O ideal é iniciar a supressão com o Aedes do Bem na temporada de outubro a maio e, dois meses depois, aplicar a Wolbachia.

“A Wolbachia atua como uma vacina nos mosquitos. Já o Aedes do Bem funciona como um larvicida específico para fêmeas. O uso combinado, com planejamento, garante impacto duradouro”, explicou Natalia.

O Ministério da Saúde já reconheceu a tecnologia Wolbachia como parte do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD). O secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, informou que a tecnologia está em uso provisório até 2027, e o governo busca viabilizar sua regulamentação definitiva.

 


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