Campo Grande (MS), Sábado, 14 de Fevereiro de 2026

SAÚDE / AVANÇO CONTRA O CÂNCER DE PÂNCREAS

Avanços no tratamento aumentam sobrevida e qualidade de vida

Estudo internacional mostra que técnica com ondas elétricas prolonga a vida e reduz a dor de pacientes. Doença segue entre as mais letais por causa do diagnóstico tardio e comportamento agressivo.

23/09/2025

08:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Casos da doença vêm crescendo também entre as mulheres, com destaque nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste  @REPRODUÇÃO

O diagnóstico do câncer de pâncreas continua sendo um dos maiores desafios da medicina. Isso porque os sintomas costumam aparecer apenas em estágios avançados, dificultando a detecção precoce e o início imediato do tratamento. Entre os sinais mais comuns estão icterícia (coloração amarelada na pele e nos olhos), fadiga, falta de apetite, perda de peso e dores no abdômen e nas costas.

Segundo especialistas, mesmo quando identificado em fases iniciais, o tumor pancreático pode já ter invadido vasos sanguíneos, tornando a cirurgia — única forma de cura inviável. “Mesmo quando é diagnosticado em sua fase inicial, o tumor pode não ser ressecável, se tiver invadido vasos sanguíneos”, explica uma especialista.

No entanto, uma nova terapia vem mudando esse cenário. Um estudo internacional chamado PANOVA, conduzido pela Clínica Mayo e realizado em 20 países, acompanhou pacientes com câncer de pâncreas por cinco anos. Os resultados são considerados animadores: após 12 meses, 68% dos pacientes que fizeram o novo tratamento estavam vivos, o que representa um aumento de 8% em relação ao grupo de controle. Outro dado importante foi a sobrevida livre de dor, que subiu para 15 meses no grupo submetido à nova técnica, em comparação aos nove meses do grupo tradicional.

A técnica utiliza ondas elétricas para atingir as células tumorais, podendo ser uma alternativa promissora especialmente nos casos em que a cirurgia não é possível.

Alta letalidade e crescimento preocupante

O câncer de pâncreas é atualmente o 14º tipo de tumor mais prevalente no Brasil, desconsiderando os casos de câncer de pele não melanoma. Para 2025, a estimativa é de 10.980 novos diagnósticos, com a doença sendo responsável por cerca de 5% das mortes por câncer no país.

Entre 2011 e 2020, o número de mortes causadas por essa neoplasia subiu 53,9%, passando de 7.726 para 11.893. Embora seja mais comum em homens, o câncer de pâncreas vem se tornando cada vez mais frequente entre as mulheres, já figurando entre os dez tipos de câncer mais comuns na população feminina das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Esse crescimento não é exclusivo do Brasil. Um estudo publicado na revista da Associação Médica Americana prevê que, até 2040, o câncer de pâncreas será o segundo tipo de câncer mais letal nos Estados Unidos, atrás apenas do câncer de pulmão.

Fatores de risco e prevenção

A origem da doença é multifatorial, associada tanto ao histórico familiar quanto a fatores ambientais e de estilo de vida. Entre os principais estão: obesidade, tabagismo, diabetes, alcoolismo e idade avançada. A incidência aumenta com o passar dos anos: entre 40 e 50 anos, são registrados 10 casos por 100 mil habitantes; já na faixa entre 80 e 85 anos, essa taxa salta para 116 casos.

Embora não exista exame de rastreio específico para detectar precocemente o câncer de pâncreas, é possível adotar medidas preventivas que reduzem o risco de desenvolvimento da doença. Entre elas estão: manter o peso corporal saudável, praticar atividade física regular, adotar uma dieta equilibrada com frutas, verduras e carnes magras, evitar o cigarro e reduzir o consumo de álcool e alimentos ultraprocessados.

Enquanto a ciência avança em terapias inovadoras e mais eficazes, o diagnóstico precoce e a prevenção seguem como os maiores aliados na luta contra o câncer de pâncreas.


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