SAÚDE INFANTIL
SUS fará teste para diagnóstico precoce de autismo a partir dos 16 meses
Nova linha de cuidado para o TEA prioriza detecção precoce e tratamento antes do diagnóstico fechado
19/09/2025
07:00
REDAÇÃO
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante lançamento da nova linha de cuidado para pessoas com TEA, em Brasília © José Cruz/Agência Brasil
Profissionais da atenção primária passarão a realizar um teste que detecta sinais de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todas as crianças com idade entre 16 e 30 meses, como parte da rotina de avaliação do desenvolvimento. A medida faz parte da nova linha de cuidado para o TEA, lançada nesta quinta-feira (18) pelo Ministério da Saúde.
De acordo com a pasta, a estratégia permitirá que os estímulos e intervenções comecem ainda antes da confirmação do diagnóstico, aumentando as chances de desenvolvimento das crianças. “A atuação precoce é fundamental para a autonomia e a interação social futura”, destacou o ministério em nota oficial.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o novo protocolo é um marco. “Pela primeira vez, o ministério estabelece uma linha de cuidado para o TEA. O centro dela é o esforço pelo diagnóstico precoce e pelo início imediato dos cuidados. Não precisa fechar o diagnóstico para começar as ações”, afirmou.
A nova diretriz é considerada pelo ministério uma ferramenta abrangente para organização da rede de cuidados, desde a atenção primária até os serviços especializados, com foco no rastreio precoce e no início do tratamento.
Teste será aplicado em consultas de rotina
O teste a ser aplicado é o M-CHAT, um questionário validado que permite identificar sinais de autismo já nos primeiros anos de vida. Ele estará disponível tanto na Caderneta Digital da Criança quanto no sistema do E-SUS, utilizado pelas unidades públicas de saúde.
A ideia é que, a partir da triagem, os profissionais possam orientar as famílias sobre estímulos adequados e terapias indicadas para o perfil de cada criança. O Guia de Intervenção Precoce, que contém essas orientações, foi atualizado e deve ser colocado em consulta pública nos próximos dias.
Plano individual e fortalecimento do cuidado familiar
A nova linha de cuidado também fortalece o Projeto Terapêutico Singular (PTS), um plano individualizado construído entre a equipe multiprofissional e a família. O PTS definirá os serviços mais adequados para cada criança, incluindo quando ela deve ser atendida por Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou encaminhada para a saúde mental.
Outra frente prevista no documento é o acolhimento às famílias, com incentivo à criação de grupos de apoio e à capacitação dos cuidadores. O objetivo é reduzir a sobrecarga familiar e estimular a criação de vínculos afetivos saudáveis no ambiente domiciliar.
Além disso, o ministério articula a implementação de um programa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que treina pais e responsáveis de crianças com autismo ou com atraso no desenvolvimento.
O governo estima que cerca de 1% da população brasileira seja diagnosticada com autismo. Dados do IBGE indicam que 71% dessas pessoas também convivem com outras deficiências, o que, segundo o Ministério da Saúde, exige uma abordagem mais ampla e integrada.
Com a nova política, a expectativa é ampliar o diagnóstico precoce, promover intervenções mais eficazes e garantir que a rede pública de saúde esteja preparada para oferecer acolhimento, atendimento especializado e apoio contínuo às famílias.
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