Campo Grande (MS), Domingo, 15 de Fevereiro de 2026

DIAGNÓSTICO PROMISSOR

Teste de saliva para Alzheimer desenvolvido no Brasil pode antecipar diagnóstico da doença

Pesquisa da Unicamp detecta proteína associada ao Alzheimer com amostra não invasiva; método ainda está em validação clínica

21/07/2025

17:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Teste de saliva desenvolvido por pesquisadores da Unicamp detecta sinais moleculares do Alzheimer com potencial para diagnósticos precoces e em larga escala @REPRODUÇÃO

Um grupo de cientistas da Unicamp, liderado pelo pesquisador Gustavo Santos, está desenvolvendo um teste de saliva que pode transformar a forma como o Alzheimer é diagnosticado. O método analisa a presença de proteínas como a p‑Tau — um dos marcadores moleculares da doença e já apresentou resultados promissores em estudos pré-clínicos.

A proposta é ambiciosa: um exame barato, não invasivo e acessível, capaz de ser aplicado em larga escala e até de forma domiciliar. Caso seja validado com sucesso, ele pode permitir diagnósticos anos antes do surgimento dos sintomas, ampliando significativamente as possibilidades de intervenção precoce e controle do avanço da doença.

“Prospecting salivary tau as a diagnostic for Alzheimer’s type dementia” é o título do estudo em andamento, que explora a viabilidade clínica da saliva como matriz diagnóstica.

Apesar do potencial inovador, os pesquisadores ressaltam que ainda há etapas cruciais pela frente. O teste está em fase de validação com grupos maiores de participantes e sua precisão clínica ainda precisa ser comprovada com mais robustez. Também não há, até o momento, aprovação regulatória para uso comercial ou clínico.

Especialistas apontam que, se comprovado, o exame pode representar um divisor de águas no campo da neurologia preventiva. Hoje, o diagnóstico de Alzheimer depende de exames caros, invasivos e de difícil acesso, como ressonâncias, tomografias ou punções lombares. Um teste simples de saliva poderia mudar esse cenário radicalmente.

“É uma descoberta com alto potencial de impacto, mas é preciso evitar euforia antes da validação total. Diagnóstico precoce só é útil se vier com precisão e confiança clínica”, pondera um pesquisador não ligado ao estudo.

Com mais de 1,5 milhão de brasileiros convivendo com a doença e projeções de crescimento exponencial nos próximos anos, iniciativas como essa reforçam a importância da ciência nacional na busca por soluções acessíveis para desafios globais. A comunidade médica e científica acompanha de perto os próximos passos da pesquisa — que pode, no futuro, redefinir o diagnóstico do Alzheimer.


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