A falta de m�o de obra � a preocupa��o do momento para empregadores, tanto no setor industrial quanto no com�rcio de Campo Grande. Somente na ind�stria surgem, pelo menos, 500 vagas por semana, segundo o presidente do STACG (Sindicato dos Trabalhadores da Ind�stria de Alimenta��o de Campo Grande), Rinaldo Salom�o. Em supermercados, atacados e com�rcios pequenos tamb�m h� vagas de sobra.
Boa parte dos empregadores precisa de funcion�rios capacitados ou pelo menos com experi�ncia, mas os que preenchem esses requisitos est�o �aprendendo a escolher emprego�, na avalia��o do presidente da entidade. �Sabemos que muitos cargos exigem experi�ncia e capacita��o e entendo que � justo que os empregadores tenham que selecionar. Ainda mais na �rea de administra��o ou manuten��o, por exemplo, que t�m equipamentos cada vez mais modernos e requer conhecimento�, afirma Rinaldo.
Por outro lado, ele pondera, h� vagas que n�o t�m tanta necessidade de experi�ncia e acabam n�o sendo preenchidas. �Acho que o motivo n�o � sal�rio baixo, porque a remunera��o � boa. Na �rea industrial, por exemplo, ningu�m ganha menos de R$ 1.200�. Rinaldo acredita que aproximadamente 40% das vagas n�o s�o preenchidas por algum outro motivo que n�o a quest�o da falta de experi�ncia, j� que podem ser preenchidas mesmo por quem n�o tem tanto tempo de trabalho. �Na ind�stria mesmo, os funcion�rios admitidos passam por capacita��o. Eu acho que acontece � que o brasileiro est� aprendendo a escolher emprego�, opina.
Com muitas vagas, as pessoas escolhem as oportunidades com carga hor�ria menor e que facilitem a rotina pessoal, na opini�o do sindicalista. Essa � a aposta do propriet�rio de uma casa de carnes no bairro Tiradentes, Luiz Silveira. H� 10 anos nesse ramo e h� tr�s meses em busca de um a�ougueiro e dois moto entregadores, Luiz conta que a situa��o � in�dita e tenta entender o porqu� da falta de m�o de obra. �Vejo que eles preferem prestar servi�o por di�rias do que ficar empregado. Talvez porque conciliem com outra atividade e tenham o servi�o mais com um complemento�.
Pequenos e grandes mercados n�o conseguem preencher vagas (Foto: Lucimar Couto) Pequenos e grandes mercados n�o conseguem preencher vagas (Foto: Lucimar Couto) Falta experi�ncia - O empres�rio acredita ainda que muitas pessoas que antes n�o tinham muitas alternativas, agora contam ainda com pol�ticas assistencialistas do governo. �Eu converso com v�rios colegas de outros segmentos, que tamb�m n�o conseguem empregados. A gente at� comenta que esses benef�cios do governo podem estar influenciando e as pessoas n�o querem trabalhar�, palpita.
Propriet�ria de um hortifr�ti no bairro Arnaldo Estev�o Figueiredo, In�s Shirado concorda que a falta de interesse pelas vagas tenha rela��o com benef�cios governamentais, mas admite que deixa de contratar muitos candidatos pela quest�o da falta de experi�ncia. �Acho que as pessoas sabem que podem ganhar um pouco dali, um pouco daqui e n�o querem pegar um emprego�, diz.
Segundo a propriet�ria, n�o h� como contratar pessoas sem alguma experi�ncia. �N�o tem como admitir uma pessoa que nem frequenta um mercado, n�o sabe de mercadoria. Tem casos que contratamos gente que nunca trabalhou, mas a pessoa tem que ter muita for�a de vontade e isso � dif�cil tamb�m�, lamenta In�s, que h� 3 meses oferece duas vagas para repositor, com sal�rio de R$ 900.
Desde o in�cio do ano, a Funsat conseguiu preencher apenas 38 vagas na constru��o civil. De acordo com a ag�ncia de empregos da funda��o, o principal motivo da falta de m�o de obra no setor � que as fun��es podem ser desempenhadas tamb�m de modo aut�nomo, por isso muitos avaliam o sal�rio e as condi��es da vaga oferecida, mas rejeitam a oportunidade para ganhar dinheiro por conta pr�pria.
Christian acredita que � melhor investir nos estudos do que trabalhar (Foto: Marcelo Calazans) Christian acredita que � melhor investir nos estudos do que trabalhar (Foto: Marcelo Calazans) Olho no futuro - Os jovens, por sua vez, pensam em investir no futuro. Muitos preferem fazer est�gio remunerado ou volunt�rio ao inv�s de trabalhar com carteira assinada e investir no estudo para garantir a qualifica��o que vai abrir caminho para a conquista de um cargo com melhor remunera��o. Esse � o plano da estudante do 2� ano do Ensino M�dio, Mariane Siqueira dos Santos, 17 anos.
�Minha m�e falou para eu focar nos estudos e depois pensar em trabalhar. Eu curso Gest�o Empresarial, pretendo tentar entrar em uma faculdade de Engenharia Civil e conseguir um est�gio�, conta a estudante. Se tudo der certo, afirma ela, n�o vai precisar trabalhar no com�rcio.
Atendente em uma loja h� tr�s meses, Christian Marques, 18 anos, n�o pensou nas dificuldades que a rotina de trabalho traria aos estudos e acabou se atrapalhando. �As vezes os pais n�o deixam trabalhar, porque pensam que pode atrapalhar o estudo. No meu caso, parei de estudar depois de come�ar a trabalhar, mas vou voltar � escola ano que vem�, conta o rapaz, convencido de que � melhor investir nos estudos antes de tudo.
O vice-presidente AMAS (Associa��o Sul-mato-grossense de Supermercados), Luiz Tadeu Gaetedicke, concorda que a dificuldade em preencher vagas que antes atraiam os jovens �, de fato, o acesso facilitado aos est�gios e oportunidades semelhantes. �Acredito que muitas pessoas jovens est�o estudando, buscando completar os estudos e t�m outras op��es por isso n�o querem trabalhar�, opina Luiz Tadeu, presidente da Rede Econ�mica de Supermercados, que oferece diversas vagas para caixa e repositor.
No Atacad�o, por exemplo, a faixa e as placas contratando funcion�rios disputam o mesmo espa�o destinado �s promo��es. A rede atacadista n�o � a �nica do setor apelando para contratar funcion�rios. No Walmart, o espa�o destinado para as oportunidades de emprego ocupam espa�o maior do que o destinado �s promo��es para atrair a clientela.
Fonte: campograndenews