Novos indicadores do Enem mostram que estar em primeiro lugar n�o significa necessariamente qualidade de ensino.
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�Colocar todas as escolas do Brasil em um �nico ranking produz um quadro distorcido da realidade educacional do Pa�s�, afirmou o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An�sio Teixeira (Inep), Francisco Soares, durante entrevista na �ltima quarta-feira (5) sobre a divulga��o das informa��es do Exame Nacional do Ensino M�dio 2014 (Enem) por Escola. Conforme ele, novos indicadores do Enem devem ser analisados e levados em considera��o pelos pais, como o �ndice de perman�ncia na escola, que aponta se o estudante cursou total ou parcialmente o ensino m�dio em determinada institui��o de ensino.
"Essa informa��o � importante para que a sociedade conhe�a quais s�o as escolas que realmente ajudam seus alunos a melhorarem, que oferecem educa��o de qualidade durante todo o ensino m�dio, e quais s�o aquelas que, simplesmente, selecionam alguns para cursarem apenas o 3� ano", complementa o presidente do Inep".� A preocupa��o dele est� em sintonia com a opini�o de grande parte dos educadores brasileiros, segundos os quais, t�o importante quanto a qualidade do ensino propriamente dito, � a pol�tica de cada escola com rela��o � forma��o social dos estudantes e � constru��o do ser humano.
L�dio Silva, coordenador pedag�gico do Col�gio Dom Bosco, que teve o maior n�mero de inscritos no exame em um �nico CNPJ no Mato Grosso do Sul (246 estudantes), afirma �Os novos indicadores do Enem mostram que estar em primeiro lugar n�o significa necessariamente qualidade de ensino. Hoje muitas escolas colocam como �nico objetivo alcan�ar o topo do ranking divulgado pelo MEC, mesmo que para isso precisem dividir seus alunos em unidades fict�cias, como apontado pelo jornal O Globo no dia 7/8. O jornal Estado de S�o Paulo fez uma an�lise semelhante no dia 5/8 afirmando que �escolas que n�o existem representam 80% dos primeiros lugares no Enem�. Para L�dio, �o pr�prio MEC, para evitar a utiliza��o mercadol�gica dos resultados do Enem, deveria disponibilizar esses dados individuais para cada escola definir planos e estrat�gias de melhoria. A forma como o ranking � divulgado incentiva as a��es criticadas pelos grandes ve�culos de comunica��o�.
No geral, a m�dia das escolas no Enem 2014 melhorou, sendo que os novos indicadores tamb�m demonstraram o esfor�o cont�nuo das escolas para avan�ar em fatores que v�o al�m das meras notas, como corpo docente, taxa de perman�ncia e infraestrutura. �A educa��o n�o se resume � ambi��o de alcan�ar os primeiros postos no ranking do Enem. Educar � preocupar-se com o desenvolvimento integral, com o exerc�cio �tico futuro da profiss�o escolhida, com a solidariedade, com o desejo de construir um futuro melhor. O ambiente escolar precisa ser prop�cio �s novas amizades, ao companheirismo. Estes objetivos ficam muito prejudicados quando a filosofia da pr�pria escola j� parte de uma concep��o mercantilista da vida�, analisa L�dio.
Para o ministro da Educa��o, Renato Janine Ribeiro, escolas maiores s�o melhores para a forma��o. �Procure uma escola maior. L� seu filho ter� contato com pessoas mais diferentes entre si. Vai conhecer o pregui�oso, o esfor�ado, o desobediente, tipos de pessoas que ele encontrar� na vida. Numa escola pequena, as pessoas podem ser muito parecidas. A nota pode ser maior, porque � mais f�cil dar aula para estudantes parecidos. Mas, no futuro, o garoto ou a garota n�o vai conseguir lidar com um mundo cada vez mais complexo�, afirmou o ministro, em entrevista para o jornal Folha de S�o Paulo neste domingo (9).
Escolas mais tradicionais visam a forma��o do cidad�o, n�o selecionando alunos por nota ou classe social. Esta distribui��o � feita em turmas de per�odo noturno, matutino e integral, conforme a situa��o familiar e a disponibilidade de tempo de cada um, o que refor�a o desenvolvimento de uma atua��o educativa pautada na �tica, resultando em nota geral significativa e na aprova��o de alunos nas melhores universidades do Mato Grosso do Sul e do pa�s.
Fonte: ASSECOM
Por: Fernanda Oliveira