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| Ger�ncia das UPAs afirma que a escala m�dica est� completa, mas profissionais s� atendem 30% da demanda. (Foto:Sim�o Nogueira) |
Reuni�o ocorrida na manh� desta segunda-feira (17) entre a prefeitura de Campo Grande e os m�dicos da rede municipal que est�o em greve desde s�bado (15), pode colocar fim ao movimento da categoria nesta ter�a-feira � noite.
Durante o encontro, que contou com a presen�a dos secret�rios de Governo, Paulo Matos, de Sa�de, Jamal Salem e com o de Finan�as, Andr� Scaff, al�m do secret�rio-adjunto da pasta, Ivan Jorge, ficou acordado que a prefeitura ir� depositar o restante dos sal�rios escalonados amanh�.
No entanto, segundo a assessoria do sindicato dos M�dicos, os profissionais ainda realizar�o uma assembleia amanh� � noite para decidir sobre os rumos do movimento. A inten��o � esperar a confirma��o do pagamento dos 394 m�dicos que n�o receberam no quinto dia �til, junto com a maioria dos servidores municipais. O montante soma R$ 4 milh�es.
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Recep��o da UPA do Guanandi permaneceu lotada durante toda a manh�. (Foto:Sim�o Nogueira)
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Apesar da nova assembleia, os secret�rios municipais est�o confiantes no fim da greve. Em nota, o secret�rio de Administra��o, Wilson do Prado, garantiu que a ordem de pagamento ser� feita nesta ter�a-feira e que todas as exig�ncias da categoria foram atendidas pela prefeitura, inclusive uma que trata do recebimento de gratifica��o. A expectativa � que n�o haja escalonamento no pr�ximo m�s.
O pagamento at� o quinto dia �til foi o principal ponto acordado entre a gest�o municipal e os m�dicos quando a categoria paralisou as atividades pela primeira vez, em maio. Por�m, alegando crise financeira, o prefeito Gilmar Olarte (PP) decidiu escalonar o pagamento dos servidores, incluindo os proventos dos m�dicos.
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Desde s�bado, Cristian Ara�jo n�o consegue descobrir se quebrou o p� por flata de aparelho de raio-X. (Foto:Sim�o Nogueira) |
Drama - Segundo a assessoria do Sindicato dos M�dicos, caso o restante do pagamento seja liberado nesta ter�a-feira, a categoria s� voltar� ao trabalho, de fato, na quarta-feira. At� l�, a popula��o ainda ir� enfrentar a demora no atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).
Neste terceiro dia de greve, a nossa reportagem percorreu tr�s, das principais UPAs da cidade e constatou situa��es dram�ticas entre os pacientes. O cen�rio mais cr�tico era na unidade do bairro Guanandi, onde sequer havia cadeiras para as pessoas aguardarem o atendimento que, em alguns casos, chegou a demorar sete horas, mesmo quando classificado na �rea vermelha, onde ficam os casos de emerg�ncia.
Foi o que aconteceu com o ajudante de caixa Cristian Jos� Ara�jo. Na manh� desta segunda-feira ele estava na UPA do bairro Universit�rio, mas conta que sofreu um acidente de moto na madrugada de s�bado e foi levado para o Guanandi por volta das 3 horas com suspeita de fratura no p� direito. "Fiquei na �rea vermelha, mas s� fui atendido �s 10 horas de domingo. Ainda por cima n�o tinha raio-X funcionando. Enfaixaram meu p� com uma tala e me deram um rem�dio para dor. Fui orientado a vir para a UPA do Universit�rio porque disseram que era o �nico lugar que tinha o aparelho de raio-X", explica.
No entanto, Cristian dever� ficar horas na UPA, j� que foi informado que no local n�o havia m�dicos atendendo e, por isso, n�o h� previs�o de atendimento. "Vou ter que ficar porque preciso saber se quebrei o p�. Tamb�m preciso de atestado para levar ao meu trabalho", disse.
O trabalhador rural Jos� de Souza Neto aguardava na UPA do Guanandi h� pelo menos uma hora por um m�dico que avaliasse o problema de seus olhos. Ele conta que come�ou a sentir dores no domingo � noite e amanheceu com os olhos vermelhos e inchados. O trabalhador reclamava que mesmo ap�s 40 minutos ainda n�o havia passado pela triagem. "J� vi v�rias pessoas sendo atendidas na minha frente", reclamou.
No mesmo posto, o aposentado Quirino Quintana tamb�m passava mal, cuspindo sangue e com sintomas de pneumonia. Ele reclamava de fortes dores no peito h� tr�s dias e aguardava, ao lado do filho, atendimento. Acompanhando pai, Nelson Quintana, que mora no bairro Bosque da Esperan�a, chegou a procurar o posto do bairro Estrela Dalva, mais pr�ximo de casa, mas foi informado que l� tamb�m n�o havia equipamento de raio-X para averiguar o pulm�o de seu pai.
"N�s ainda temos condi��es de vir de carro, mas imagina uma pessoa que precisa pegar um �nibus passando mal e ainda por cima chegar em um lugar que n�o tem m�dico", questiona.
Na UPA da Vila Almeida, a estudante Sara Borges Pereira, apresentava dores no corpo, garganta e febre e foi classificada na �rea verde. Ela disse que havia chegado antes das 9 horas, mas at� �s 11 horas ainda n�o havia recebido atendimento.
Apesar de entenderem a reivindica��o da categoria, os pacientes ouvidos pela reportagem tem opini�o dividida quanto a greve. Para Sara Pereira, os m�dicos deveriam respeitar o estatuto do SUS, que preconiza o atendimento a popula��o sob qualquer circunst�ncia. A mesma postura tem o gar�on Valcir da Silva Victor, que esperava atendimento na UPA do Universit�rio, devido a um acidente de trabalho. "Um palete caiu no meu p� e desde o s�bado n�o consigo atendimento", diz.
Na sua opini�o, a greve n�o deveria prejudicar a popula��o. "Deveria ficar nos postos um n�mero suficiente para atender as pessoas", ressalta.
J� Nelson Quintana, que acompanhava o pai na UPA do bairro Guanandi, entende o direito da categoria e responsabiliza o governo federal pela situa��o que afeta os munic�pios. "N�s pagamos tantos impostos e n�o temos nada de retorno. Quem trabalha quer ganhar", destaca.
Escala - Os gerentes das UPAs visitadas pelo Campo Grande News garantem que os m�dicos est�o respeitando a escala de manter 30% dos profissionais atendendo os casos de urg�ncia e emerg�ncia. Na unidade da Vila Almeida, a gerente Dirce Dominoni chegou a mostrar as fichas de pacientes que j� haviam sido atendidos antes das 11 horas. No local ela disse que estavam quatro cl�nicos gerais e cinco pediatras.
Dirce garantiu que todos os pacientes classificados na �rea vermelha est�o recebendo atendimento urgente e os da �rea verde n�o passam de duas horas, como manda a tabela do SUS. Apenas os da �rea azul n�o tinham prazo para atendimento. "Como esses casos s�o mais simples e geralmente vem em busca de atestado, a recomenda��o � que busquem uma unidade b�sica de sa�de e marquem a consulta", orienta.
J� na UPA do Guanandi, a enfermeira respons�vel pelo per�odo, que preferiu n�o se identificar, tamb�m ressaltou que os m�dicos estavam obedecendo o limite m�nimo de atendimento. Ela disse que pela manh� havia cinco cl�nicos e quatro pediatras, que assinaram o ponto, mas seguiam as normas de atender apenas 30% da demanda.
A enfermeira ainda disse que todos os pacientes estavam passando por triagem normalmente e que n�o h� a sistem�tica de passar pacientes na frente de casos graves. "Acontece que estamos dando prioridade as emerg�ncias. Quem n�o apresentar um quadro que coloque em risco sua vida, ter� que esperar mesmo", enfatiza.
Na recep��o da UPA do Universit�rio, a equipe foi informada de que havia m�dicos na unidade, mas era imposs�vel prever o tempo de espera. Por�m, pacientes alegavam que tinham recebido a informa��o de que n�o havia profissionais no local. "Estive aqui s�bado e me mandaram voltar hoje porque n�o tinha m�dicos no posto", acusa o gar�on Valcir da Silva.
O presidente do Sindicato dos M�dicos, Valdir Siroma, ressaltou, no in�cio do movimento, que os profissionais seguiriam a determina��o de atender 30% dos pacientes e que caso algu�m chegasse nas unidades passando mal devido a uma doen�a cr�nica, como hipertens�o, tamb�m seria socorrido.
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| O trabalhador rural Jos� Neto sentia dores nos olhos, mas n�o tinha previs�o de atendimento. (Foto:Sim�o Nogueira) |
Fonte: campograndenews
Por: Fl�via Lima
Link original: http://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/prefeitura-promete-pagar-salarios-mas-drama-em-postos-continua-ate-terca