Campo Grande (MS), Quinta-feira, 03 de Abril de 2025

Antônio João, MS: comoção e choro no velório de índio morto ao buscar filho de 4 anos

31/08/2015

09:30

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Como��o entre os �ndios ao chegar o caix�o do patr�cio Sime�o (Foto: Marcos Erm�nio, enviado especial a Ant�nio Jo�o)

Depois de tr�s horas de viagem at� Antonio Jo�o, a equipe do Campo Grande News chegou a cidade no in�cio da manh� deste domingo (30), sob um clima de tranquilidade, depois dos conflitos ocorridos nas fazendas Barra e Fronteira, ocupadas pelos �ndios Guarani Kaiow� desde a semana passada, que culminou na morte do ind�gena Semi�o Fernandes Vilhalva, de 24 anos. O momento da abertura do caix�o em que estava o corpo dele foi a cena mais comovente de ontem.

Semi�o era casado com Jana�na, de pouco mais de 20 anos de idade, e deixou uma crian�a de 4 anos, filho que ele teria tentado defender, mas antes de encontr�-la na invernada, foi atingido por um tiro no rosto, que saiu na nuca, caindo �s margens do c�rrego estrelinha, pr�ximo da sede da Fazenda Fronteira.

a esposa Jana�na chorou o tempo todo ao ver o rosto do marido Semi�o no caix�o (Foto: Marcos Erm�nio)
O corpo de Semi�o chegou a sede da Fazenda Cedro, a cerca de 9 quil�metros da cidade, por volta das 14 horas da tarde desse domingo. Em seguida, cerca de 50 ind�genas seguiram caminhando sob sol forte e temperatura acima dos 33�C, por cerca de 40 minutos at� chegarem a sede da Fazenda Fronteira, local em que o �ndio foi morto.

A �ndia Leni, av� e m�e do beb� ferido com tiros de borracha, retirando a mortalha para ver o rosto de Semi�o (Foto: Marcos Erm�nio)

O irm�o Mariano Vilha�a observa o rosto de Sime�o (Foto: Marcos Erm�nio)

Inicialmente, os �ndios queriam velar o corpo na sede da fazenda, por�m o local est� sob prote��o da For�a Nacional e do Ex�rcito. No momento, houve tens�o entre os ind�genas e os policiais, at� que aceitaram a proposta do capit�o da For�a Nacional, que recomendou que eles velassem o corpo na casa do outro lado do c�rrego, local em que estavam os familiares da v�tima.

A chegada do caix�o no local foi uma cena muito triste e que emocionou a todos, principalmente ao retirarem a tampa e revelar o rosto do rapaz de 24 anos, mais um na estat�stica de mortes na luta pela terra, segundo nesta �rea em lit�gio h� mais de 10 anos. 


�ndio chora a morte de Sime�o durante vel�rio (Foto: Marcos Erm�nio)
Marcada pela simplicidade dos ind�genas, o caix�o foi colocado em uma varanda da casa sobre um banco de madeira, ao lado de um galp�o onde fica guardado o sal e o calc�rio da fazenda. Por alguns minutos a esposa do �ndio morto chorou desesperada ao v�-lo no caix�o. O filho n�o estava pr�ximo no momento. A cena � a mesma, sendo �ndio ou branco, a despedida de um �guerreiro�, como diz os �ndios, � algo que choca, pela brutalidade.

O corpo de Semi�o foi velado durante toda a noite deste domingo, quando aconteceu uma reza durante a cerim�nia de despedida e o enterro deve acontecer no mesmo local em que ele foi morto na tarde desta segunda-feira.

Durante o per�odo da tarde deste domingo em que permanecemos entre os �ndios n�o observou qualquer situa��o de hostilidade por parte dos ind�genas, mas sim a preocupa��o de um povo na tentativa de se defender para evitar mais mortes e sedentos por divulgar a vers�o deles dos fatos, como disse a �ndia Leni, av� e ao mesmo tempo m�e da pequenina Analieni, ferida com duas balas de borracha, uma nas costas e outra na nuca, �n�s quer�amos o di�logo e n�o o confronto�, ao lembrar do conflito ocorrido no s�bado.






Fonte: campograndenews
Por: Ant�nio Marques, enviado especial a Ant�nio Jo�o
Link original: http://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/comocao-e-choro-no-velorio-de-indio-morto-ao-buscar-filho-de-4-anos


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