SAÚDE
Alergias podem surgir na vida adulta e provocar reações graves, alerta especialista
Médica explica que alimentos, medicamentos e picadas de insetos podem desencadear anafilaxia mesmo em pessoas que nunca apresentaram alergias anteriormente
30/06/2026
17:00
CGNEWS
MARIA GORETI
Especialistas alertam que alergias podem surgir em qualquer fase da vida e que sintomas aparentemente leves devem ser avaliados para prevenir reações graves, como o choque anafilático.
Uma pessoa pode passar anos consumindo determinado alimento, utilizando medicamentos ou convivendo com diferentes agentes sem apresentar qualquer reação alérgica. No entanto, isso não significa que esteja livre de desenvolver alergias no futuro. Segundo a médica alergista e imunologista Adriana Cunha Barbosa, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), alergias podem surgir em qualquer fase da vida, inclusive na idade adulta, e evoluir para quadros graves, como o choque anafilático.
O tema ganhou destaque após a confirmação de que a ex-deputada estadual Grazielle Machado morreu em decorrência de um choque anafilático. Ainda não há confirmação sobre o agente responsável pela reação, embora pessoas próximas tenham informado que ela consumiu camarão antes de apresentar os primeiros sintomas.
De acordo com a especialista, entre os adultos, os alimentos mais frequentemente associados às reações alérgicas graves são frutos do mar, castanhas e amendoim. Mesmo pessoas que sempre consumiram esses alimentos sem qualquer problema podem desenvolver alergia de forma inesperada.
Além dos alimentos, medicamentos e picadas de insetos, como abelhas e formigas, também podem desencadear reações potencialmente fatais.
A médica alerta que nem sempre a primeira manifestação da alergia é grave. Em muitos casos, os sintomas iniciais podem ser discretos, como coceira na garganta, vermelhidão na pele ou um leve desconforto.
Segundo ela, esses sinais merecem atenção porque uma nova exposição ao agente causador pode desencadear uma reação muito mais intensa.
Nas crises graves, os sintomas costumam aparecer rapidamente, geralmente entre cinco e vinte minutos após o contato com a substância responsável pela alergia.
Entre os principais sinais estão urticária, vermelhidão intensa na pele, inchaço no rosto, lábios, olhos ou garganta, dificuldade para respirar, tosse, sensação de aperto no peito, obstrução nasal repentina durante a alimentação e queda da pressão arterial.
A recomendação é procurar avaliação médica sempre que houver suspeita de reação alérgica, mesmo que os sintomas tenham sido leves.
Após a confirmação do diagnóstico, o principal cuidado é evitar completamente o contato com o agente causador da alergia.
No caso das alergias alimentares, a orientação é informar restaurantes sobre a condição e ter atenção ao risco de contaminação cruzada, quando utensílios ou superfícies utilizados no preparo de alimentos alergênicos entram em contato com outros pratos.
Mesmo pequenas quantidades do alimento podem provocar reações em pessoas altamente sensíveis.
A especialista destaca que pacientes diagnosticados com alergias graves devem seguir um plano de ação definido pelo médico, que inclui orientações sobre os medicamentos necessários e os procedimentos a serem adotados em caso de nova reação.
Nos casos de maior risco, o uso da caneta de adrenalina autoinjetável pode ser indicado, sempre sob prescrição médica.
Segundo Adriana Cunha Barbosa, um dos principais erros é subestimar os primeiros sintomas e deixar de procurar atendimento especializado.
Os especialistas explicam que o sistema imunológico sofre mudanças ao longo da vida e pode perder a tolerância a substâncias que antes eram reconhecidas como inofensivas.
Quando isso acontece, o organismo passa a identificar alimentos, medicamentos, pólen ou venenos de insetos como ameaças, desencadeando uma resposta imunológica exagerada, com liberação de substâncias inflamatórias, como a histamina, responsáveis pelos sintomas alérgicos.
No caso das alergias alimentares, uma das principais explicações é a perda da chamada tolerância oral, mecanismo que normalmente faz o organismo reconhecer as proteínas dos alimentos como seguras.
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