SAÚDE
Intolerância à lactose ou alergia ao leite? Saiba identificar os sinais de cada condição
Embora apresentem sintomas semelhantes, as duas condições têm causas distintas e exigem tratamentos específicos para evitar complicações e garantir uma alimentação adequada.
30/06/2026
08:00
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Intolerância à lactose e alergia à proteína do leite têm causas diferentes e exigem diagnóstico correto para garantir tratamento e alimentação adequados. @Divulgação
A intolerância à lactose e a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) costumam ser confundidas, mas são condições diferentes que exigem cuidados específicos. Enquanto a intolerância está relacionada à dificuldade do organismo em digerir o açúcar presente no leite, a alergia envolve uma resposta do sistema imunológico e pode provocar reações graves, inclusive risco de choque anafilático.
Segundo um estudo do laboratório Genera, cerca de 51% da população adulta brasileira possui predisposição genética para desenvolver intolerância à lactose. Já a APLV atinge aproximadamente 350 mil pessoas no país, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
A alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Cristina Abud de Almeida, explica que a intolerância à lactose ocorre quando o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável por quebrar a lactose, açúcar presente no leite.
Sem essa digestão adequada, a lactose chega intacta ao intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias da microbiota intestinal, provocando sintomas como gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia.
Já a alergia à proteína do leite de vaca é uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no alimento, como a caseína e as proteínas do soro do leite.
Nesses casos, os sintomas podem incluir manchas vermelhas na pele, inchaço nos lábios, vômitos, sangue nas fezes, dificuldades respiratórias e, em situações mais graves, choque anafilático, considerado uma emergência médica.
De acordo com a especialista, pessoas com APLV precisam eliminar completamente o leite e seus derivados da alimentação. Ela ressalta ainda que produtos classificados como "zero lactose" não são necessariamente seguros para alérgicos, pois continuam contendo as proteínas do leite responsáveis pela reação imunológica.
Apesar das restrições necessárias para quem possui diagnóstico confirmado, o leite de vaca continua sendo um dos alimentos mais completos do ponto de vista nutricional.
Rico em proteínas de alto valor biológico, cálcio e vitaminas essenciais, ele desempenha papel importante no crescimento, fortalecimento dos ossos e manutenção da saúde ao longo da vida.
Para pacientes que precisam retirar o leite da dieta, a substituição deve ser feita com acompanhamento profissional.
Nos bebês, podem ser indicadas fórmulas especiais, como as hidrolisadas ou à base de aminoácidos, dependendo da gravidade do quadro. Já em crianças maiores e adultos, a escolha dos alimentos substitutos deve considerar as necessidades nutricionais individuais.
A especialista destaca que eliminar o leite sem orientação pode provocar deficiências nutricionais importantes.
"O diagnóstico correto é o primeiro passo para garantir qualidade de vida. O acompanhamento com profissionais de saúde é essencial para que a alimentação permaneça equilibrada e segura", afirma Cristina Abud de Almeida.
Ela reforça que somente exames e avaliação médica podem confirmar se o paciente apresenta intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite, evitando restrições desnecessárias e riscos à saúde.
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