SAÚDE E TRATAMENTO
Nova diretriz contraindica uso isolado de remédios no tratamento da obesidade
Documento da Abeso reforça que medicamentos devem ser associados a dieta, atividade física e acompanhamento médico
02/04/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Especialistas alertam que uso de remédios sem mudanças no estilo de vida não é eficaz no controle da obesidade © Cristian Camilo/Divulgação
Uma nova diretriz da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) orienta que o tratamento farmacológico da obesidade não deve ser realizado de forma isolada. Segundo o documento, o uso de medicamentos precisa estar sempre associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e acompanhamento profissional.
A recomendação integra um conjunto de 32 orientações elaboradas por especialistas para qualificar o cuidado com a obesidade, condição que afeta milhões de brasileiros e está associada a diversas doenças.
De acordo com a diretriz, os medicamentos são indicados principalmente para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando há doenças relacionadas, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Em situações específicas, o tratamento pode ser considerado mesmo fora desses critérios, desde que existam fatores de risco associados, como aumento da circunferência abdominal.
O documento destaca ainda que o avanço das opções terapêuticas exige avaliação individualizada de cada paciente. A proposta é oferecer mais segurança aos profissionais de saúde na definição do tratamento mais adequado.
Outro ponto de atenção é o alerta para o uso de substâncias sem comprovação científica. A diretriz contraindica fórmulas manipuladas e produtos que utilizam diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes ou outras substâncias sem evidência de eficácia e segurança.
Além disso, o material aborda o tratamento da obesidade em diferentes contextos clínicos, como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática, apneia do sono e perda de massa muscular, aproximando as recomendações da realidade dos consultórios.
Especialistas reforçam que o combate à obesidade depende de uma abordagem integrada e contínua, com foco na mudança de hábitos e no acompanhamento multidisciplinar, garantindo melhores resultados e mais qualidade de vida aos pacientes.
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