REALIDADE DO CUIDADO
Mulheres são maioria entre cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil, aponta pesquisa inédita
Levantamento nacional também indica diagnóstico mais precoce e alto custo das terapias para as famílias
02/04/2026
07:00
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Pesquisa revela que cuidado com pessoas autistas recai majoritariamente sobre mulheres no país
Uma pesquisa inédita sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil revela que as mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas autistas. O levantamento faz parte do Mapa do Autismo no Brasil, produzido por uma organização não governamental, com base em mais de 23 mil respostas em todo o país.
Os dados mostram que a maior parte das cuidadoras são mulheres e que muitas delas estão fora do mercado de trabalho, dedicando-se integralmente ao cuidado. A realidade é vivida por mães como a advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, que reorganizou a vida profissional para acompanhar o desenvolvimento do filho João, diagnosticado com autismo.
O estudo também aponta um avanço importante: o diagnóstico tem ocorrido cada vez mais cedo. Atualmente, a média no Brasil está em torno dos 4 anos de idade, alinhada aos padrões internacionais. A identificação precoce é considerada fundamental para ampliar as possibilidades de განვითარ e qualidade de vida, já que permite o início antecipado de terapias e estímulos adequados.
Apesar do avanço, o custo do tratamento ainda é um desafio para muitas famílias. Segundo o levantamento, os gastos mensais com terapias podem ultrapassar R$ 1 mil, levando grande parte das famílias a recorrer a planos de saúde ou ao sistema público.
Em relação à rede pública, o governo federal informou que tem ampliado a assistência, com investimento de R$ 83 milhões e a previsão de novos serviços especializados, incluindo centros de reabilitação e atendimento multidisciplinar.
O estudo também deve subsidiar recomendações para aprimorar as políticas públicas voltadas às pessoas com autismo, com foco na ampliação do acesso a diagnóstico, tratamento e inclusão social.
No Brasil, a estimativa é de que cerca de 2,4 milhões de pessoas estejam dentro do espectro autista. Especialistas reforçam que ampliar a conscientização é essencial para garantir direitos, reduzir o preconceito e fortalecer a rede de apoio às famílias.
Além do acesso à saúde, políticas de inclusão na educação, no mercado de trabalho e em espaços de lazer são consideradas fundamentais para assegurar qualidade de vida às pessoas autistas e seus cuidadores.
Pesquisa revela que cuidado com pessoas autistas recai majoritariamente sobre mulheres no país
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