Campo Grande (MS), Domingo, 19 de Abril de 2026

REALIDADE DO CUIDADO

Mulheres são maioria entre cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil, aponta pesquisa inédita

Levantamento nacional também indica diagnóstico mais precoce e alto custo das terapias para as famílias

02/04/2026

07:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Pesquisa revela que cuidado com pessoas autistas recai majoritariamente sobre mulheres no país

Uma pesquisa inédita sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil revela que as mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas autistas. O levantamento faz parte do Mapa do Autismo no Brasil, produzido por uma organização não governamental, com base em mais de 23 mil respostas em todo o país.

Os dados mostram que a maior parte das cuidadoras são mulheres e que muitas delas estão fora do mercado de trabalho, dedicando-se integralmente ao cuidado. A realidade é vivida por mães como a advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, que reorganizou a vida profissional para acompanhar o desenvolvimento do filho João, diagnosticado com autismo.

O estudo também aponta um avanço importante: o diagnóstico tem ocorrido cada vez mais cedo. Atualmente, a média no Brasil está em torno dos 4 anos de idade, alinhada aos padrões internacionais. A identificação precoce é considerada fundamental para ampliar as possibilidades de განვითარ e qualidade de vida, já que permite o início antecipado de terapias e estímulos adequados.

Apesar do avanço, o custo do tratamento ainda é um desafio para muitas famílias. Segundo o levantamento, os gastos mensais com terapias podem ultrapassar R$ 1 mil, levando grande parte das famílias a recorrer a planos de saúde ou ao sistema público.

Em relação à rede pública, o governo federal informou que tem ampliado a assistência, com investimento de R$ 83 milhões e a previsão de novos serviços especializados, incluindo centros de reabilitação e atendimento multidisciplinar.

O estudo também deve subsidiar recomendações para aprimorar as políticas públicas voltadas às pessoas com autismo, com foco na ampliação do acesso a diagnóstico, tratamento e inclusão social.

No Brasil, a estimativa é de que cerca de 2,4 milhões de pessoas estejam dentro do espectro autista. Especialistas reforçam que ampliar a conscientização é essencial para garantir direitos, reduzir o preconceito e fortalecer a rede de apoio às famílias.

Além do acesso à saúde, políticas de inclusão na educação, no mercado de trabalho e em espaços de lazer são consideradas fundamentais para assegurar qualidade de vida às pessoas autistas e seus cuidadores.

 

Pesquisa revela que cuidado com pessoas autistas recai majoritariamente sobre mulheres no país


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