Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

ALERTA DE SEGURANÇA

Stalking faz vítimas mudarem rotina e acende alerta em Mato Grosso do Sul

Lei e serviços especializados reforçam combate à perseguição obsessiva, que cresce no país e afeta principalmente mulheres

23/03/2026

07:45

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Casos de stalking crescem no país e acendem alerta em Mato Grosso do Sul, onde vítimas enfrentam medo e mudanças na rotina.

A perseguição insistente, conhecida como Stalking, tem provocado medo e mudanças profundas na rotina de vítimas em Mato Grosso do Sul. A prática, que inclui vigilância constante, envio repetido de mensagens, ameaças e tentativas obsessivas de contato, passou a ser considerada crime no Brasil em 2021.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 apontam crescimento no número de casos no país, que saltaram de 80.017 em 2023 para 95.025 em 2024. A taxa subiu de 73,8 para 87,2 vítimas a cada 100 mil mulheres.

No Estado, foram registradas 1.223 ocorrências em 2023 e 779 em 2024. Apesar da aparente queda, especialistas alertam para a possibilidade de subnotificação, já que muitas vítimas ainda têm medo de denunciar ou demoram a reconhecer a situação como crime.

Casos como o de Mariana, nome fictício, ilustram a gravidade da situação. Após o fim de um relacionamento, ela passou a ser perseguida pelo ex-companheiro, com mensagens constantes, ligações insistentes e aparições inesperadas. O medo fez com que mudasse hábitos e evitasse sair sozinha.

A psicóloga Aletânia Ramires, que atua na Sala Lilás da Delegacia de Sidrolândia, explica que o comportamento geralmente está ligado a relações afetivas anteriores. Segundo ela, o stalking não deve ser romantizado e representa uma forma de violência que causa sofrimento emocional e sensação constante de vigilância.

O crime está previsto no Código Penal desde a Lei Federal nº 14.132/2021, que tipifica a perseguição reiterada com pena de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. Em Mato Grosso do Sul, a Lei Estadual nº 5.202/2018 também prevê ações de conscientização e prevenção.

Na Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira oferece atendimento integrado às vítimas, com suporte psicológico, orientação jurídica e encaminhamento para medidas protetivas. A coordenadora Angélica Fontanari destaca que o aumento das denúncias também reflete maior conscientização sobre o problema.

Outra ferramenta disponível é o aplicativo “Proteja Mais Mulher”, desenvolvido pela Secretaria Executiva da Mulher. O recurso permite que vítimas acionem rapidamente a Guarda Municipal em situações de risco, com envio de localização e gravação de áudio, garantindo resposta em poucos minutos.

Especialistas reforçam que o stalking é uma forma de violência que exige atenção e denúncia, além de políticas públicas eficazes para proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.


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