Campo Grande (MS), Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026

AGRO

Cigarrinha ameaça produtividade do milho segunda safra em 2026

Prejuízos bilionários e perdas expressivas reforçam necessidade de manejo antecipado nas lavouras brasileiras

09/02/2026

09:00

REDAÇÃO

Controle precoce da cigarrinha e planejamento do plantio são decisivos para garantir a produtividade do milho safrinha. @Divulgação

A definição da janela de plantio do milho segunda safra será determinante para o desempenho do cereal em 2026. Apesar da previsão de chuvas para a primeira quinzena de fevereiro no Centro-Oeste, produtores ampliaram a capacidade operacional no campo, o que pode acelerar a colheita da soja e permitir a semeadura do milho dentro do período considerado ideal.

Além das condições climáticas, a presença da cigarrinha-do-milho segue como uma das maiores preocupações do setor. Antes restrito a áreas específicas, o inseto se disseminou pelo país e passou a representar um problema estrutural para a cultura. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima perdas de aproximadamente US$ 25,8 bilhões entre as safras 2020/21 e 2023/24, com redução média de 22,7% na produção nacional, equivalente a cerca de 31,8 milhões de toneladas anuais. Em grande parte dos municípios analisados, produtores relataram danos associados à praga e às doenças que ela transmite.

Em regiões mais vulneráveis, as perdas podem ultrapassar 70% da colheita. Para reduzir os impactos, agricultores têm ampliado os investimentos em estratégias de controle, com crescimento próximo de 19% nas últimas safras. Especialistas defendem que o manejo deve começar ainda nas fases iniciais do cultivo, com uso de híbridos tolerantes, tratamento de sementes, monitoramento frequente das lavouras e aplicação de inseticidas no momento adequado.

O milho safrinha ganhou protagonismo nas últimas décadas, especialmente no Centro-Oeste, onde concentra a maior parte da produção nacional. Projeções de mercado indicam colheita superior a 100 milhões de toneladas em 2026. Em Mato Grosso, principal produtor do país, a área cultivada deve ultrapassar 7 milhões de hectares, com expectativa de produção acima de 50 milhões de toneladas.

Mesmo com cenário produtivo favorável, o desempenho final dependerá diretamente do clima e do controle eficiente da cigarrinha ao longo do ciclo da cultura. Diante disso, especialistas orientam que o planejamento agrícola seja antecipado, garantindo a disponibilidade de insumos e a adoção de medidas preventivas capazes de preservar o potencial produtivo das lavouras.


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