COMPORTAMENTO INFANTIL
Uso excessivo de telas compromete habilidades motoras na infância
Especialista alerta que redução de brincadeiras físicas afeta desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças
09/02/2026
08:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Atividades simples como correr, pular corda e desenhar são fundamentais para estimular a coordenação motora e a aprendizagem. @Divulgação
O crescimento do tempo de exposição de crianças a celulares e tablets tem reduzido a participação em brincadeiras físicas, situação que já apresenta reflexos no desenvolvimento motor infantil. A diminuição dessas experiências corporais interfere diretamente na coordenação de movimentos, na precisão muscular e também em aspectos cognitivos importantes para a aprendizagem.
A coordenação motora global corresponde à capacidade de controlar movimentos amplos do corpo, como correr, saltar, dançar e manter o equilíbrio. Essas habilidades são essenciais durante a infância e influenciam desde tarefas básicas, como a escrita, até o desempenho em atividades esportivas. Por isso, compreender e estimular esse desenvolvimento é considerado fundamental para um crescimento saudável.
O período entre zero e seis anos é apontado como fase decisiva para o desenvolvimento motor, já que cérebro e corpo passam por intensa formação. Ainda assim, especialistas destacam que a evolução dessas habilidades pode ocorrer após essa idade, graças à neuroplasticidade, que permite ao cérebro continuar aprendendo e se reorganizando ao longo da vida.
Práticas cotidianas simples, como pular corda, desenhar ou brincar de amarelinha, contribuem para o aprimoramento da coordenação motora fina e grossa, além de favorecerem a integração social, o equilíbrio emocional e o fortalecimento da autoestima. Essas experiências também estimulam funções cognitivas como atenção, memória, planejamento e controle inibitório, elementos essenciais para o processo de aprendizagem.
Outro ponto ressaltado é que não há necessidade de brinquedos sofisticados para promover esse desenvolvimento. Circuitos montados com objetos comuns, como almofadas, bambolês ou cones improvisados, já são suficientes para incentivar movimento, organização mental e interação social.
Diante desse cenário, especialistas orientam que pais e educadores ampliem as oportunidades de atividades físicas no cotidiano das crianças e reduzam o tempo de telas. A incorporação de brincadeiras ativas na rotina é vista como estratégia eficaz para garantir uma infância mais saudável, com ganhos motores, cognitivos e emocionais duradouros.
A análise é da psicopedagoga e psicomotricista Luciana Brites, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento, que atua na formação de educadores e famílias sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil.
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