EDUCAÇÃO E MERCADO
Ensino superior pode mais que dobrar salários no Brasil, aponta OCDE
Relatório mostra que diploma universitário aumenta ganhos em até 148%, mas país enfrenta altos índices de evasão e baixa taxa de conclusão
09/09/2025
07:45
REDAÇÃO
Relatório da OCDE mostra que ensino superior eleva salários, mas Brasil ainda investe pouco e tem dificuldade em reter alunos © Arquivo/Agência Brasil
Ter um diploma de ensino superior no Brasil pode mais que dobrar o salário de um trabalhador. A conclusão está no relatório Education at a Glance 2025, divulgado nesta terça-feira (9) pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Segundo o estudo, brasileiros com ensino superior completo ganham, em média, 148% a mais do que aqueles com apenas o ensino médio — percentual superior à média da OCDE, de 54%.
Apesar disso, o país ainda enfrenta grandes desafios: apenas 20,5% da população com 25 anos ou mais possui ensino superior, e um em cada quatro estudantes abandona o curso após o primeiro ano. A taxa de conclusão entre jovens de 25 a 34 anos é de apenas 24%, contra 49% na média dos países da OCDE.
Abandono, evasão e desigualdade
O relatório aponta que o abandono no primeiro ano do bacharelado é de 25% no Brasil, o dobro da média da OCDE (13%). Mesmo com um prazo adicional de três anos após o tempo regular de curso, menos da metade (49%) conclui o ensino superior no país.
Entre as razões citadas para a alta evasão estão descompasso entre expectativas dos alunos e a realidade dos cursos, falta de orientação profissional no ensino médio e apoio insuficiente a estudantes ingressantes.
A diferença de gênero também se destaca: 53% das mulheres que iniciam o ensino superior concluem o curso, contra 43% dos homens — diferença de 9 pontos percentuais.
Outro dado preocupante é o alto índice de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham (NEET). No Brasil, a taxa chega a 24%, acima da média da OCDE, de 14%. Entre as mulheres, esse percentual é ainda maior: 29%, contra 19% entre os homens.
Investimento abaixo da média
Em termos de investimento público, o Brasil destina US$ 3.765 por aluno por ano no ensino superior — cerca de R$ 20 mil. A média da OCDE é quase quatro vezes maior: US$ 15.102, ou cerca de R$ 80 mil. Apesar disso, o percentual do PIB investido no setor é semelhante ao da OCDE, 0,9%.
Mesmo entre os que concluem a universidade, a qualidade do ensino preocupa. Dados da Pesquisa de Competências de Adultos 2023, também da OCDE, revelam que 13% dos diplomados nos países membros não alcançam nem o nível básico de proficiência em leitura.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirma que as baixas taxas de conclusão prejudicam o retorno dos investimentos públicos, aumentam a escassez de mão de obra qualificada e limitam o acesso a oportunidades. Ele recomenda ações como:
Melhor orientação profissional no ensino médio;
Programas universitários mais claros e bem estruturados;
Apoio acadêmico a alunos em risco;
Cursos mais curtos e flexíveis, voltados a diferentes perfis de estudantes.
O relatório ainda mostra que o Brasil é um dos poucos países que não aumentou a proporção de estudantes internacionais, mantendo-se em 0,2% entre 2018 e 2023, enquanto a média da OCDE subiu de 6% para 7,4%.
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