UFMS / JUSTIÇA E EDUCAÇÃO
Professor da UFMS condenado por estupro é demitido após nove anos
Caso ocorreu em 2016, mas docente permaneceu em sala de aula até ser afastado por pressão de estudantes; demissão foi publicada nesta terça-feira (2)
02/09/2025
08:20
CGNEWS
REDAÇÃO
Estudantes protestaram por várias semanas até a UFMS publicar a demissão do professor condenado (Foto: Reprodução/Arquivo)
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) publicou nesta terça-feira (2) a demissão do professor de Biologia Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos, condenado por estupro de uma aluna em 2016. A medida ocorre nove anos após o crime e após intensos protestos por parte da comunidade acadêmica, que exigia a exoneração do docente.
A demissão consta em portaria assinada no dia 1º de setembro, que informa que a decisão seguiu todos os trâmites legais do Processo Administrativo Disciplinar (PAD), com supervisão da Corregedoria da universidade e parecer da Advocacia-Geral da União (AGU).
O caso
O crime aconteceu durante uma festa universitária em uma república em 2016. A vítima, uma aluna de 22 anos, estava alcoolizada e vulnerável quando Luiz Gustavo a seguiu até o quarto onde ela foi dormir. Segundo denúncia, ele passou as mãos no corpo da jovem e fechou a porta. Amigas da vítima desconfiaram, tentaram forçar a entrada e, ao conseguirem abrir o quarto, encontraram a colega nua, desorientada e chorando.
No dia seguinte, o professor procurou a aluna e sugeriu que ela tomasse a pílula do dia seguinte. Incentivada pelas amigas, a vítima denunciou o abuso à direção da UFMS. Apesar da denúncia, o professor seguiu lecionando por quase uma década.
Condenação e reações
Luiz Gustavo foi condenado em primeira instância a 8 anos de prisão em regime semiaberto, além de indenizar a vítima em R$ 30 mil por danos morais. Mesmo assim, em agosto deste ano, ele foi promovido de Adjunto/4 para Associado/1, decisão que gerou revolta e mobilizou novos protestos.
A promoção foi anulada no dia seguinte, e o professor permaneceu afastado até a formalização de sua demissão.
Mobilização estudantil
A resposta dos estudantes foi imediata. Diversos protestos foram realizados no campus de Campo Grande e em frente à Reitoria da UFMS. Cerca de 40 alunos se reuniram com faixas e cartazes cobrando providências. As palavras de ordem ecoaram:
“Quem estupra não educa”,
“Demissão é pra já”,
“Se tem abuso, tem resistência”.
A estudante Rebeca Garcia, de 22 anos, afirmou:
“A gente não vai ficar em silêncio. Não temos medo de exigir nossos direitos.”
Outra ex-aluna, de 30 anos, que também relatou assédio na época em que cursava a UFMS, comentou:
“Dá um gostinho de justiça, mas ainda há impunidade. Nenhum julgamento apaga o que ele fez.”
O que diz a UFMS
Após a repercussão do caso e das manifestações estudantis, a UFMS declarou que está comprometida com a integridade dos processos disciplinares e com a segurança da comunidade acadêmica. A instituição informou que “repudia qualquer forma de violência” e que “as providências legais foram tomadas conforme o devido processo legal”.
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