JUSTIÇA
PGR pede condenação de Bolsonaro e mais 7 réus por golpe de Estado
Procuradoria vê ex-presidente como líder de organização criminosa armada; julgamento no STF deve ocorrer em setembro
15/07/2025
09:30
AGÊNCIA BRASIL
REDAÇÃO
© Valter Campanato/Agência Brasil
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (14), a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes às 23h45 e integra as alegações finais da ação penal, última fase antes do julgamento, previsto para setembro deste ano.
No extenso parecer de 517 páginas, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, aponta que Bolsonaro e os demais acusados devem ser responsabilizados por cinco crimes:
Organização criminosa armada
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Golpe de Estado
Dano qualificado pela violência e grave ameaça
Deterioração de patrimônio tombado
As penas máximas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.
Além de Bolsonaro, também são alvos do pedido de condenação:
Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro;
General Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do esquema.
No caso de Mauro Cid, a PGR propôs suspensão da pena, devido ao acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal, que contribuiu para a elucidação dos fatos.
Bolsonaro como líder da trama golpista
Na peça enviada ao STF, o procurador-geral Paulo Gonet descreveu Bolsonaro como o “principal articulador e maior beneficiário” da tentativa de golpe. O ex-presidente é apontado como líder da organização criminosa, tendo mobilizado recursos públicos e autoridades do alto escalão para tentar invalidar o resultado das eleições de 2022.
“Com o apoio de membros do alto escalão do governo e de setores estratégicos das Forças Armadas, mobilizou sistematicamente agentes, recursos e competências estatais, à revelia do interesse público, para propagar narrativas inverídicas, provocar a instabilidade social e defender medidas autoritárias”, afirmou Gonet no parecer.
A PGR aponta que Bolsonaro instrumentalizou o aparato estatal em um “esquema persistente” de ataque às instituições democráticas, questionando a legitimidade do processo eleitoral mesmo após sua derrota nas urnas.
Com a entrega das alegações finais da PGR, abre-se agora o prazo de 15 dias para que a defesa de Mauro Cid apresente seus argumentos. Em seguida, os demais réus também terão 15 dias para enviar suas alegações finais.
Após essa fase, o processo será concluso para julgamento pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que inclui os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Nos bastidores do STF, a expectativa é de que o julgamento ocorra em setembro, marcando um dos momentos mais emblemáticos do enfrentamento institucional às ameaças contra a democracia brasileira nos últimos anos.
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