Campo Grande (MS), Terça-feira, 14 de Julho de 2026

BEM ESTAR ANIMAL

Especialistas orientam como preparar a família para a velhice dos pets

Com o aumento da expectativa de vida de cães e gatos, cuidados preventivos e apoio emocional tornam-se fundamentais para garantir qualidade de vida aos animais e seus tutores

14/07/2026

15:45

REDAÇÃO

Cuidados veterinários preventivos e apoio emocional ajudam famílias a proporcionar mais qualidade de vida aos pets durante o envelhecimento. @Divulgação

O aumento da expectativa de vida dos animais de estimação tem transformado a rotina de muitas famílias brasileiras. Cães e gatos vivem cada vez mais graças aos avanços da Medicina Veterinária, à alimentação adequada e aos cuidados preventivos, mas o envelhecimento dos pets também traz novos desafios para os tutores, tanto no aspecto físico quanto emocional.

Segundo a médica-veterinária Gizelly Bandeira, docente do curso de Medicina Veterinária da Estácio, a longevidade dos animais reflete diretamente a evolução dos cuidados oferecidos pelos responsáveis.

"Hoje a expectativa de vida dos animais de companhia aumentou. Isso se deve à melhoria da qualidade de vida proporcionada pelos responsáveis, seja por alimentação e acolhimento, assim como pelo desenvolvimento da Medicina Veterinária", explica.

De acordo com a especialista, atualmente é possível encontrar cães com até 20 anos e gatos que chegam aos 22 anos, mantendo qualidade de vida durante o envelhecimento.

Com a mudança na relação entre pessoas e animais, os pets passaram a ocupar um papel cada vez mais importante dentro das famílias, tornando essa fase da vida ainda mais significativa para seus tutores.

Cuidados devem começar antes da velhice

Em média, cães e gatos passam a ser considerados idosos entre os 6 e 7 anos de idade. A partir desse período, o acompanhamento veterinário regular torna-se ainda mais importante para identificar precocemente alterações que podem surgir com o envelhecimento.

Entre os sinais que merecem atenção estão tosse, cansaço, mudanças no apetite, alterações na forma de caminhar e qualquer comportamento diferente do habitual.

Segundo Gizelly Bandeira, um dos erros mais comuns é acreditar que todas as mudanças são consequência natural da idade.

"Idade não é doença. Não existe isso de 'ele está assim porque é velhinho'. Deve-se cuidar e tratar o pet para que ele envelheça bem", alerta.

Entre as doenças mais frequentes em animais idosos estão problemas cardíacos, respiratórios, renais, endócrinos e alterações na saúde bucal. Além disso, a alimentação deve ser adaptada para atender às necessidades dessa fase da vida, sempre com orientação veterinária.

Envelhecimento também afeta emocionalmente a família

Além dos cuidados com a saúde do animal, especialistas destacam que o envelhecimento dos pets também exige atenção ao bem-estar emocional dos tutores.

Para a coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, Maísa Colombo Lima, cães e gatos ocupam hoje um espaço importante na vida afetiva das famílias, oferecendo companhia, acolhimento e sensação de pertencimento.

"Quando uma pessoa olha para o pet e pensa: 'Ele está sempre comigo', 'Eu não estou sozinha' ou 'Aqui existe alguém feliz por me ver', esses pensamentos podem produzir sentimentos de acolhimento, segurança e pertencimento", afirma.

À medida que o animal envelhece e passa a apresentar limitações físicas, é comum surgirem sentimentos de tristeza, preocupação, medo, culpa e ansiedade. Em muitos casos, os tutores vivenciam o chamado luto antecipatório, caracterizado pelo sofrimento diante da possibilidade de uma perda futura.

Segundo a psicóloga, esse sentimento é natural e demonstra o vínculo afetivo construído ao longo dos anos.

"Preparar-se não significa desistir do animal nem antecipar sua morte. Significa reconhecer a realidade para oferecer um cuidado mais consciente", orienta.

A especialista recomenda que a família converse sobre as mudanças, compartilhe responsabilidades e concentre sua atenção no presente, buscando oferecer mais conforto e qualidade de vida ao animal durante essa fase.

Quando a tristeza ou a ansiedade passam a interferir na rotina, no trabalho ou nos relacionamentos, o acompanhamento psicológico também pode ser um importante aliado para ajudar os tutores a enfrentarem esse momento com equilíbrio e acolhimento.


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