TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Especialista esclarece mitos e verdades sobre terapias subcutâneas no tratamento do câncer
Oncologista explica que modalidade pode reduzir o tempo de permanência no hospital sem comprometer a eficácia e a segurança dos medicamentos
14/07/2026
15:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Aplicação subcutânea reduz o tempo de tratamento no hospital e oferece mais conforto aos pacientes, mantendo a eficácia e a segurança das terapias oncológicas.
As terapias subcutâneas vêm ganhando espaço no tratamento oncológico e têm proporcionado mais praticidade para pacientes e equipes de saúde. Diferentemente da administração intravenosa, que exige acesso venoso e pode levar horas para a infusão do medicamento, a aplicação subcutânea é feita sob a pele, em poucos minutos, de forma semelhante à aplicação de uma vacina.
De acordo com a oncologista Carla Dias, do Hospital Sírio-Libanês e do ICESP HC/USP, estudos apontam que essa modalidade pode reduzir em até 68% o tempo que o paciente permanece no hospital para receber o tratamento, contribuindo para mais conforto e melhor qualidade de vida.
A especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre essa forma de administração.
Segundo Carla Dias, é um mito afirmar que terapias subcutâneas são indicadas apenas para doenças de baixa complexidade. Atualmente, medicamentos administrados por essa via já são utilizados no tratamento de doenças como linfomas, mieloma múltiplo e câncer de mama HER2-positivo.
Ela explica que a via de administração não determina a complexidade da doença, mas apenas a forma como o medicamento é aplicado. Atualmente, anticorpos monoclonais, imunoterapias e terapias-alvo já contam com formulações subcutâneas aprovadas.
Outro equívoco frequente é acreditar que a aplicação mais rápida seja menos eficaz do que a intravenosa. Segundo a oncologista, estudos clínicos demonstram que as formulações subcutâneas apresentam eficácia e segurança equivalentes às versões administradas por infusão, incluindo resultados relacionados à resposta tumoral e à sobrevida dos pacientes.
Além dos benefícios para quem recebe o tratamento, a especialista afirma que essa modalidade também otimiza o funcionamento das unidades de oncologia. Como a administração leva poucos minutos, há maior disponibilidade de profissionais de enfermagem, poltronas e leitos para atender outros pacientes, tornando o fluxo de atendimento mais eficiente.
Carla Dias também esclarece que a aplicação subcutânea não é realizada exclusivamente na região abdominal. Dependendo do medicamento e do protocolo adotado, a administração pode ocorrer no abdômen, na coxa ou na parte posterior do braço, sempre com rodízio dos locais para evitar reações e favorecer a absorção do medicamento.
Entre as principais vantagens para os pacientes estão a redução do tempo de permanência na unidade de saúde, a dispensa do acesso venoso, especialmente importante para pessoas com veias de difícil acesso após diversos ciclos de quimioterapia, e a possibilidade de retomar mais rapidamente as atividades do dia a dia, o trabalho e o convívio familiar.
Apesar da simplicidade da aplicação, a oncologista reforça que a terapia subcutânea deve ser administrada exclusivamente por profissionais de saúde capacitados.
Segundo ela, mesmo sendo uma técnica menos complexa do que a infusão intravenosa, trata-se de medicamentos de alta complexidade, cuja administração exige conhecimento técnico, monitoramento de possíveis reações e cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança.
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