Campo Grande (MS), Segunda-feira, 20 de Julho de 2026

CASOS GRAVES DE CHIKUNGUNYA PREOCUPAM ESPECIALISTAS

Especialistas defendem diagnóstico precoce e atenção intensiva para casos severos da doença

Especialistas alertam para avanço de quadros graves de chikungunya durante encontro realizado no Hospital Universitário da UFGD, em Dourados

22/05/2026

15:20

REDAÇÃO

Especialistas discutiram em Dourados o avanço de casos graves de chikungunya e a necessidade de resposta rápida das equipes de saúde para evitar complicações da doença. @Divulgação

A necessidade de uma nova atenção para os casos de chikungunya marcou o encontro “Manejo Clínico de Casos Graves de Chikungunya”, realizado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede HU Brasil. Promovido em parceria com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o evento reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir manifestações graves da doença, que vêm exigindo resposta rápida das equipes de saúde e suporte intensivo a pacientes críticos.

Durante os debates, especialistas destacaram que a chikungunya, historicamente associada a sintomas reumatológicos, passou a apresentar quadros clínicos mais severos, incluindo colapso circulatório, desidratação intensa, alterações metabólicas e comprometimentos neurológicos e respiratórios.

A infectologista do HU-UFGD/HU Brasil, Andyane Freitas Tetila, afirmou que os casos graves têm demonstrado um comportamento muito mais sistêmico da doença.

“Historicamente, a chikungunya ficou muito marcada pelas dores articulares intensas e prolongadas, mas os casos graves têm mostrado um comportamento muito mais sistêmico da doença. Hoje observamos pacientes evoluindo com comprometimento neurológico, cardiovascular, respiratório e renal, além de quadros inflamatórios importantes e descompensação de doenças crônicas”, explicou.

Segundo a médica, o aumento de pacientes necessitando de internação e suporte intensivo exige uma mudança na forma como a doença é encarada pelas equipes de saúde.

“Também chama atenção o aumento de casos com insuficiência respiratória, choque, mostrando que o vírus pode desencadear uma resposta inflamatória muito mais agressiva do que se imaginava anteriormente”, afirmou.

Andyane ressaltou que a chikungunya não pode mais ser vista apenas como uma arbovirose ligada às dores articulares.

“A chikungunya não deve mais ser vista apenas como uma arbovirose associada à dor articular, mas como uma doença potencialmente grave, que exige vigilância clínica, diagnóstico precoce e capacidade de resposta hospitalar”, enfatizou.

O encontro contou com a participação da infectologista Ho Yeh Li, coordenadora da UTI de Infectologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), e do infectologista Rafael Galliez, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que contribuíram com discussões sobre manejo clínico e estratégias de enfrentamento das arboviroses.

Durante a roda de conversa, também foram debatidos os casos considerados “hiperagudos” da doença, que exigem reconhecimento precoce e atendimento rápido.

O médico Pedro Carvalho, chefe da Divisão Médica do HU-Univasf/HU Brasil, relatou experiências durante atendimento a populações indígenas em Dourados, como voluntário da Força Nacional do SUS (FN-SUS). Segundo ele, alguns pacientes apresentaram choque circulatório, desidratação severa e descompensações metabólicas graves, como cetoacidose diabética.

Os desafios do atendimento pediátrico também foram apresentados pela médica intensivista pediátrica do HU-UFGD, Nancy Karol Giummarresi Torres, que relatou casos envolvendo lactentes e crianças com comprometimento respiratório e necessidade de suporte avançado em UTI.

As discussões abordaram ainda a importância da hidratação venosa rigorosa, o cuidado específico com populações indígenas e a necessidade de ampliar estudos sobre manifestações extrarticulares da chikungunya.

O superintendente do HU-UFGD, Hermeto Paschoalick, destacou que a experiência vivida durante a epidemia mostrou que a doença pode evoluir de maneiras variadas e nem sempre com sintomas clássicos.

“Na chikungunya parece ser mais difícil identificar sinais de alarme específicos da doença, e o tratamento precisa ser muito mais individualizado”, explicou.

Segundo ele, o hospital universitário tem atuado em conjunto com secretarias de saúde e o Ministério da Saúde para fortalecer pesquisas e melhorar o atendimento aos pacientes.

“Participar das pesquisas e receber os maiores especialistas do Brasil tem nos ajudado a cuidar melhor das pessoas infectadas pelo vírus”, afirmou.


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