MULHERES NO FUTEBOL
Persistência e talento impulsionam mulheres a vencer barreiras no futebol
De atletas consagradas a jovens promessas, presença feminina cresce apesar dos desafios históricos no esporte
24/03/2026
08:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
© Bruno Peres/Agência Brasil
Atuar em ambientes tradicionalmente masculinos ainda é um desafio para muitas mulheres e no futebol, essa realidade se torna ainda mais evidente. Romper barreiras e permanecer nesse espaço exige determinação, coragem e resistência diária.
Neste Mês da Mulher, atletas, narradoras e jovens que iniciam no esporte relatam como a vontade de vencer sustenta a presença feminina em um cenário que, por quase 40 anos, proibiu a participação de mulheres no Brasil.
Dados de 2022 da Confederação Brasileira de Futebol mostram que havia apenas 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras registradas no país, evidenciando o longo caminho ainda a ser percorrido para a equidade no esporte.
Ambiente seguro
Há três meses no Ministério do Esporte, a ex-jogadora Formiga, atual diretora de Políticas de Futebol e Promoção do Futebol Feminino, destaca que ampliar a participação feminina passa, прежде de tudo, pela construção de um ambiente seguro.
Com uma trajetória histórica, Formiga foi a única atleta a disputar sete Copas do Mundo. Atuando como volante e meia, conquistou duas medalhas olímpicas de prata e um vice-campeonato mundial, além do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007.
“Precisamos trazer segurança não só para essas atletas de hoje, mas para todas as meninas, mulheres, independentemente do cargo que ocupem”, afirma.
Segundo ela, o fortalecimento da base é essencial para o crescimento do futebol feminino no país. Apesar do grande número de talentos, a falta de estrutura ainda limita o avanço.
“Meninas temos até demais, talentos temos até demais, mas, enquanto não tivermos estrutura, vamos avançar pouco”, ressaltou.
Formiga também defende que o desenvolvimento do futebol feminino precisa ser mais equilibrado entre os estados, com ampliação de projetos e equipes em todo o país, e não concentrado apenas em grandes centros como São Paulo.
Meninas no futebol
Entre as novas gerações, histórias como a da jovem Isadora Jardim mostram que o cenário começa a mudar, mesmo com desafios persistentes.
Aos 14 anos, a meio-campista deixou o Distrito Federal para viver em São Paulo, onde atua na base do Corinthians. A rotina inclui treinos pela manhã e estudos à tarde, conciliando disciplina e dedicação.
Convocada para a Seleção Brasileira sub-15, Isadora relata que já enfrentou preconceitos ao longo do caminho.
“Já ouvi comentários como ‘futebol não é para mulher’. Isso nunca é bom, mas aprendi a lidar com isso e me tornar mais forte”, conta.
Mesmo diante das dificuldades, ela reforça a importância de persistir.
“Meu recado para outras meninas é: nunca desistam. Continuem treinando e acreditando no sonho.”
A presença feminina no futebol cresce a cada ano, impulsionada por histórias de superação, talento e resistência. Ainda há desafios estruturais e culturais, mas o avanço é contínuo dentro e fora dos gramados.
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