Campo Grande (MS), Quinta-feira, 26 de Março de 2026

MOBILIZAÇÃO NACIONAL

Manifestações contra o feminicídio tomam ruas do Brasil e revelam cenário alarmante em Mato Grosso do Sul

Atos em todo o país denunciaram violência de gênero; MS registra 37 feminicídios em 2025 e se mantém entre os estados com maior índice de mortes

08/12/2025

08:25

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Mobilizações em diversas capitais reuniram milhares de pessoas em defesa da vida das mulheres e contra o feminicídio.

O Brasil viveu neste fim de semana uma onda de mobilizações contra o feminicídio. Os atos do movimento Mulheres Vivas ocuparam ruas de várias cidades do país para denunciar a escalada da violência de gênero e cobrar respostas urgentes do poder público. Com cartazes, velas, intervenções artísticas e discursos de familiares de vítimas, as manifestações evidenciaram o clamor social por justiça e proteção às mulheres.

Mato Grosso do Sul registra 37 feminicídios em 2025

Enquanto o Brasil protestava, Mato Grosso do Sul voltou aos holofotes devido ao avanço da violência letal. De janeiro a dezembro deste ano, o Estado registrou 37 feminicídios, número que reforça o cenário de emergência e coloca MS novamente entre os estados com maior taxa proporcional de mortes de mulheres em razão de gênero.

O índice preocupa autoridades, movimentos sociais e instituições de atendimento, sobretudo porque muitos casos ocorreram em contexto de relacionamento íntimo, ambiente doméstico ou após histórico de ameaças, demonstrando falhas na prevenção e na proteção das vítimas.

Ameaça contra deputada reforça violência política de gênero

A gravidade do tema ganhou ainda mais repercussão após a deputada estadual Professora Gleice Jane (PT-MS) registrar boletim de ocorrência em Dourados, denunciando ter recebido uma ameaça de morte por WhatsApp. A mensagem, com o texto “você vai morrer” e outras intimidações, é investigada como violência política de gênero, um tipo de agressão que busca silenciar mulheres que ocupam espaços de poder.

Para a parlamentar, o episódio simboliza o avanço do ódio e da perseguição às mulheres, justamente no momento em que o país se mobiliza contra o feminicídio.

Protestos unem vozes e reforçam urgência

Nas manifestações pelo país, mulheres, homens, lideranças comunitárias, instituições e movimentos organizados se uniram para cobrar políticas públicas eficazes, ampliar a rede de proteção e garantir que o direito à vida seja prioridade.

Os atos também lembraram as vítimas de 2025, com leitura de nomes, minutos de silêncio e cruzes representando vidas interrompidas. Em muitos locais, familiares emocionados relataram ausência de apoio, lentidão nas investigações e medo constante.

Demandas apresentadas nos atos

Entre os principais pedidos das mobilizações, estão:

  • Ampliação da estrutura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher;

  • Reforço na Patrulha Maria da Penha e medidas protetivas de urgência;

  • Mais casas de acolhimento e atendimento psicológico;

  • Investimentos contínuos em prevenção e educação;

  • Enfrentamento à violência política de gênero;

  • Investigação célere e punição rigorosa dos agressores.

Um chamado pela vida

Os protestos ocorridos simultaneamente em todo o país, somados aos 37 feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul em 2025, deixam clara a mensagem: o Brasil vive uma crise de violência contra mulheres que exige ação imediata, firme e integrada.

A mobilização nacional deste fim de semana ecoa a mesma pergunta que ecoa nas ruas, nas casas e nas instituições: quantas mulheres mais precisarão morrer para que a sociedade, de fato, mude?


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Jornal Correio MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: