MOBILIZAÇÃO NACIONAL
Manifestações contra o feminicídio tomam ruas do Brasil e revelam cenário alarmante em Mato Grosso do Sul
Atos em todo o país denunciaram violência de gênero; MS registra 37 feminicídios em 2025 e se mantém entre os estados com maior índice de mortes
08/12/2025
08:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Mobilizações em diversas capitais reuniram milhares de pessoas em defesa da vida das mulheres e contra o feminicídio.
O Brasil viveu neste fim de semana uma onda de mobilizações contra o feminicídio. Os atos do movimento Mulheres Vivas ocuparam ruas de várias cidades do país para denunciar a escalada da violência de gênero e cobrar respostas urgentes do poder público. Com cartazes, velas, intervenções artísticas e discursos de familiares de vítimas, as manifestações evidenciaram o clamor social por justiça e proteção às mulheres.
Enquanto o Brasil protestava, Mato Grosso do Sul voltou aos holofotes devido ao avanço da violência letal. De janeiro a dezembro deste ano, o Estado registrou 37 feminicídios, número que reforça o cenário de emergência e coloca MS novamente entre os estados com maior taxa proporcional de mortes de mulheres em razão de gênero.
O índice preocupa autoridades, movimentos sociais e instituições de atendimento, sobretudo porque muitos casos ocorreram em contexto de relacionamento íntimo, ambiente doméstico ou após histórico de ameaças, demonstrando falhas na prevenção e na proteção das vítimas.
A gravidade do tema ganhou ainda mais repercussão após a deputada estadual Professora Gleice Jane (PT-MS) registrar boletim de ocorrência em Dourados, denunciando ter recebido uma ameaça de morte por WhatsApp. A mensagem, com o texto “você vai morrer” e outras intimidações, é investigada como violência política de gênero, um tipo de agressão que busca silenciar mulheres que ocupam espaços de poder.
Para a parlamentar, o episódio simboliza o avanço do ódio e da perseguição às mulheres, justamente no momento em que o país se mobiliza contra o feminicídio.
Nas manifestações pelo país, mulheres, homens, lideranças comunitárias, instituições e movimentos organizados se uniram para cobrar políticas públicas eficazes, ampliar a rede de proteção e garantir que o direito à vida seja prioridade.
Os atos também lembraram as vítimas de 2025, com leitura de nomes, minutos de silêncio e cruzes representando vidas interrompidas. Em muitos locais, familiares emocionados relataram ausência de apoio, lentidão nas investigações e medo constante.
Entre os principais pedidos das mobilizações, estão:
Ampliação da estrutura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher;
Reforço na Patrulha Maria da Penha e medidas protetivas de urgência;
Mais casas de acolhimento e atendimento psicológico;
Investimentos contínuos em prevenção e educação;
Enfrentamento à violência política de gênero;
Investigação célere e punição rigorosa dos agressores.
Os protestos ocorridos simultaneamente em todo o país, somados aos 37 feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul em 2025, deixam clara a mensagem: o Brasil vive uma crise de violência contra mulheres que exige ação imediata, firme e integrada.
A mobilização nacional deste fim de semana ecoa a mesma pergunta que ecoa nas ruas, nas casas e nas instituições: quantas mulheres mais precisarão morrer para que a sociedade, de fato, mude?
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