Campo Grande (MS), Sexta-feira, 04 de Abril de 2025

Mandela 'inspirou a luta no Brasil e na América do Sul', diz Dilma em tributo

10/12/2013

11:31

CMS

Presidente da Rep�blica foi 2� chefe de Estado a discursar na solenidade.
Durante cerim�nia, Dilma chamou os sul-africanos de 'sul-americanos'.

Dilma Rousseff discursou na �frica do Sul no tributo em homenagem a Nelson Mandela
(Foto: Pedro Ugarte/AFP)

Sob os olhares de cerca de 80 mil pessoas, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta ter�a-feira (10/12), durante discurso em tributo ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela no est�dio Soccer City, em Johanesburgo, que o exemplo do l�der negro inspirou o Brasil e a Am�rica do Sul. Segundo Dilma, Mandela foi "a personalidade maior do s�culo 20".

"Trago aqui o sentimento de profundo pesar do governo e do povo brasileiro e, tenho certeza, [tamb�m] de toda a Am�rica do Sul pela morte desse grande l�der Nelson Mandela. O apartheid que Mandela e o povo derrotaram foi a forma mais elaborada e cruel de desigualdade social e pol�tica que se tem not�cia nos tempos modernos. [Mandela] Inspirou a luta no Brasil e na Am�rica do Sul. 'Madiba', como carinhosamente voc�s o chamam, constituiu exemplo de refer�ncia para todos n�s, pela hist�rica paci�ncia com que suportou o c�rcere e o sofrimento", disse Dilma.

Falando em nome do continente sul-americano, a presidente brasileira foi a segunda chefe de Estado � depois de Obama � a discursar na cerim�nia, que lotou o Soccer City, palco da final da Copa do Mundo de 2010, onde Mandela fez sua �ltima apari��o p�blica. O ato na arena de futebol marca o in�cio dos cinco dias de homenagens ao l�der sul-africano, que morreu na quinta-feira (5), em Pret�ria, aos 95 anos.

Os tributos devem durar at� seu funeral, previsto para este domingo (15). S�mbolo da luta contra a discrimina��o racial e vencedor do Pr�mio Nobel da Paz de 1993, Mandela ser� enterrado, de acordo com seu desejo, na aldeia de Qunu, localizada na prov�ncia pobre do Cabo Leste, onde ele cresceu.

A homenagem a Mandela no Soccer City foi transmitida em tel�es instalados em outros tr�s est�dios de Johanesburgo e em mais 150 locais em toda a �frica do Sul. O ato tamb�m foi veiculado pela televis�o para dezenas de pa�ses.

Ato falho

A presidente brasileira discursou durante 8 minutos, com o aux�lio de um tradutor. Em meio � manifesta��o de pesar pela morte de Mandela, Dilma cometeu um ato falho, referindo-se aos sul-africanos como "sul-americanos".

"O governo e o povo brasileiro se inclinam diante da mem�ria de Nelson Mandela. Transmito � senhora Gra�a Machel [vi�va de Mandela], aos seus familiares, ao presidente [Jacob] Zuma e a todo o povo 'sul-americano', sul-africano, nosso profundo sentimento de dor e de pesar. Viva Mandela para sempre!", confundiu-se Dilma.

A presidente do Brasil come�ou a discursar pouco antes das 14h (10h pelo hor�rio de Bras�lia). Ao se posicionar no p�lpito coberto, Dilma foi intensamente aplaudida pelo p�blico. Ela destacou no pronunciamento que a na��o brasileira, que traz com "orgulho" o sangue africano nas veias, "chora e celebra" o exemplo do l�der que "faz parte do pante�o da humanidade.

"Sua luta [de Mandela] transcendeu suas fronteiras nacionais e inspirou homens e mulheres, jovens e adultos, a lutarem por sua independ�ncia e pela justi�a social. Deixou li��es n�o s� para seu querido continente africano, mas para todos aqueles que buscam a liberdade e a justi�a e a paz no mundo", destacou.

"[Mandela] Inspirou a luta no Brasil e na Am�rica do Sul. 'Madiba', como carinhosamente voc�s o chamam, constituiu exemplo de refer�ncia para todos n�s, pela hist�rica paci�ncia com que suportou o c�rcere e o sofrimento"
           Dilma Rousseff, presidente da Rep�blica


Autoridades de todos os continentes viajaram � �frica do Sul para prestar uma �ltima rever�ncia ao l�der sul-africano. Entre as 91 autoridades mundiais que prestigiaram a cerim�nia, est�o os presidentes Barack Obama (EUA), Fran�ois Hollande (Fran�a), Ra�l Castro (Cuba), o premi� brit�nico David Cameron e o secret�rio-geral da Organiza��o das Na��es Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

O tributo ao �cone mundial da luta pela igualdade racial teve in�cio por volta do meio-dia (8h pelo hor�rio de Bras�lia). Ao longo de toda a solenidade, mesmo sob chuva intensa, milhares de pessoas que lotaram as arquibancadas cantaram e dan�aram para reverenciar o ex-presidente da �frica do Sul.

A vi�va de Mandela, Gra�a Machel, demonstrou muita emo��o ao chegar ao Soccer City. Winnie Mandela, ex-mulher do l�der negro, foi muito aplaudida ao ter seu nome anunciado pelo sistema de alto-falantes do est�dio.

Logo ap�s apertar a m�o de Ra�l Castro, o
presidente Barack Obama cumprimenta com um
beijo a presidente Dilma Rousseff (Foto: AP/SABC)
Autoridades

Homem mais poderoso do mundo, Barack Obama foi o primeiro presidente a discursar na cerim�nia. Filho de um africano do Qu�nia, o chefe do Executivo americano fez um breve resgate da trajet�ria de Mandela no in�cio de seu pronunciamento. Na vis�o de Obama, Mandela foi um "gigante da hist�ria", que moveu bilh�es de pessoas pelo mundo.

Emocionado, o presidente americano lembrou da luta do ex-presidente contra o apartheid, os 27 anos em que o sul-africano passou na pris�o e a gest�o dele � frente do pa�s, na d�cada de 1990.

"Aos povos de todas as ra�as, o mundo agradece a voc�s por compartilharem Nelson Mandela conosco. A luta dele era a luta de voc�s, o triunfo dele foi o triunfo de voc�s", enfatizou Obama.

Aos povos de todas as ra�as, o mundo agradece a voc�s por compartilharem Nelson Mandela conosco. A luta dele era a luta de voc�s, o triunfo dele foi o triunfo de voc�s"
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos

"� tentador lembrar de Mandela como um �cone sorrindo, sereno, descompromissado com os problemas normais dos seres humanos, mas ele transcendeu isso. Em vez disso, 'Madiba' insistiu em compartilhar conosco suas d�vidas, sua f�, seus erros de c�lculo, junto com suas vit�rias�, completou o presidente dos EUA, ovacionado pelas arquibancadas do est�dio.

Para o secret�rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, a �frica do Sul perdeu um "her�i". J� o mundo, ressaltou o dirigente da ONU, "perdeu um mentor". "Nelson Mandela foi um dos maiores l�deres de nosso tempo, um de nossos maiores professores", completou.

Dilma e quatro ex-presidentes da Rep�blica
desembarcaram na �frica do Sul na madrugada
de ter�a-feira (10) (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)
Comitiva brasileira

Acompanhada de quatro ex-presidentes da Rep�blica, Dilma desembarcou na madrugada desta ter�a-feira (10/12) em Johanesburgo. Viajaram ao lado da atual chefe do Executivo os ex-presidentes brasileiros Luiz In�cio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e Jos� Sarney.

A comitiva presidencial partiu para o continente africano da Base A�rea do Gale�o, no Rio de Janeiro, no in�cio da tarde de segunda-feira. Antes de embarcar, Dilma escreveu em sua conta no microblog Twitter que o Estado brasileiro havia se unido para "honrar Mandela".

'Madiba'

O ex-presidente da �frica do Sul ficou internado de junho a setembro em decorr�ncia de uma infec��o pulmonar. Ele havia deixado o hospital e estava em casa.

Desde julho, ap�s uma ordem judicial, os restos mortais de tr�s de seus filhos tamb�m est�o sepultados na aldeia de Qunu.

Conhecido como "Madiba" na �frica do Sul, nome pelo qual sua tribo � conhecida, Mandela foi considerado um dos maiores her�is da luta dos negros pela igualdade de direitos no pa�s. Ele foi um dos principais respons�veis pelo fim do regime racista do apartheid, uma pol�tica de governo que se estendeu por 45 anos e regulamentava a segrega��o entre brancos e negros.

Fonte: G1, em Bras�lia

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