SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Obesidade exige tratamento individualizado e vai muito além da alimentação
Especialistas alertam que fatores genéticos, hormonais e metabólicos influenciam o ganho de peso e reforçam a importância de uma abordagem personalizada no tratamento da doença.
08/07/2026
09:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
A obesidade é uma doença crônica complexa que envolve fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais e comportamentais. Cada vez mais estudos demonstram que o excesso de peso não pode ser explicado apenas por alimentação inadequada ou falta de atividade física, tornando essencial uma avaliação individualizada para definir o tratamento mais adequado.
Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o excesso de peso atinge grande parte da população brasileira, especialmente as mulheres. Além disso, projeções internacionais indicam que os índices de obesidade deverão continuar crescendo nos próximos anos, aumentando o risco de diversas doenças crônicas.
Entre as complicações associadas ao excesso de peso estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, problemas articulares, alterações metabólicas e dificuldades relacionadas à fertilidade. Pesquisas também apontam que a obesidade pode comprometer tanto a saúde reprodutiva feminina quanto a masculina, afetando a ovulação, a qualidade dos espermatozoides, a fertilidade natural e até os resultados de tratamentos para infertilidade.
Especialistas explicam que o organismo possui mecanismos que dificultam a perda de peso. Alterações hormonais, inflamação crônica e fatores genéticos podem fazer com que o corpo reduza o gasto energético e aumente o armazenamento de gordura, tornando o emagrecimento um desafio para muitas pessoas.
O metabolismo também exerce papel importante nesse processo. A taxa metabólica basal, responsável pela energia utilizada pelo organismo para manter funções vitais, varia de acordo com fatores como idade, sexo, genética, composição corporal e condições de saúde. Com o envelhecimento, ocorre redução natural da massa muscular e aumento da gordura corporal, diminuindo o gasto energético, principalmente entre as mulheres.
Outro aspecto importante está relacionado aos hormônios que regulam o apetite e o metabolismo. Substâncias responsáveis pela sensação de fome, saciedade, controle da glicose, resposta ao estresse e produção hormonal podem sofrer alterações capazes de favorecer o ganho de peso e dificultar sua redução.
A resistência à insulina, por exemplo, favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, além de aumentar a vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e carboidratos. Já o excesso prolongado de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, pode estimular a chamada fome emocional e reduzir ainda mais o metabolismo.
Por isso, especialistas defendem que o tratamento da obesidade deve ser personalizado. A avaliação médica considera não apenas o peso corporal, mas também exames laboratoriais, histórico familiar, rotina, hábitos alimentares, qualidade do sono, nível de atividade física, saúde emocional, composição corporal e presença de outras doenças.
O objetivo é desenvolver estratégias compatíveis com a realidade de cada paciente, aumentando as chances de adesão ao tratamento e promovendo mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Estudos científicos também mostram que pequenas reduções no peso corporal já são capazes de trazer benefícios importantes à saúde. Em muitos casos, perder entre 5% e 10% do peso inicial pode melhorar o controle da pressão arterial, da glicemia, dos níveis de colesterol e reduzir significativamente o risco de complicações.
Sinais como ganho de peso progressivo, cansaço frequente, dificuldade para emagrecer mesmo com alimentação equilibrada e prática de exercícios, além de dores e inchaços persistentes, podem indicar a necessidade de uma avaliação médica para investigar possíveis alterações hormonais ou metabólicas.
Especialistas reforçam que a obesidade deve ser tratada como uma doença e não apenas como uma questão estética. O acompanhamento profissional, aliado à alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono e cuidados com a saúde mental, é considerado o caminho mais eficaz para promover qualidade de vida e resultados duradouros.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Geely inaugura primeira concessionária em Mato Grosso do Sul e amplia presença no mercado brasileiro
Leia Mais
Anvisa aprova novo medicamento para tratamento da doença de Chagas em crianças e adolescentes
Leia Mais
Nova legislação fortalece direitos e amplia proteção às pessoas com diabetes tipo 1
Leia Mais
Câmara de Campo Grande realiza 2º Arraiá Solidário com comidas típicas, shows e arrecadação de alimentos
Municípios