Campo Grande (MS), Quarta-feira, 08 de Julho de 2026

SAÚDE

Dia Mundial da Alergia reforça alerta sobre anafilaxia após morte de Gracielle Machado em Campo Grande

Especialistas destacam que reações alérgicas graves podem evoluir em poucos minutos e exigem atendimento imediato com adrenalina

08/07/2026

07:40

REDAÇÃO

MARIA GORETI

A anafilaxia é uma emergência médica que pode surgir em qualquer idade e evoluir rapidamente para choque anafilático, colocando a vida do paciente em risco. @Divulgação

Celebrado em 8 de julho, o Dia Mundial da Alergia chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do atendimento imediato diante das formas mais graves das reações alérgicas. O alerta ganha ainda mais relevância em Mato Grosso do Sul após a morte da ex-vereadora e ex-deputada estadual Gracielle Machado, que faleceu recentemente em Campo Grande em decorrência de um quadro alérgico de rápida evolução.

O caso gerou grande comoção e reforçou o debate sobre um problema que, embora muitas vezes seja associado apenas a coceiras, espirros ou manchas na pele, pode evoluir em poucas horas para um quadro potencialmente fatal.

Segundo a médica alergista e imunologista pediátrica do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), Maria Carolina Guimarães Albertini, a alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que normalmente são inofensivas para a maioria das pessoas.

"As doenças alérgicas mais frequentes são a rinite alérgica, a asma, a dermatite atópica, além das alergias alimentares, medicamentosas e às ferroadas de insetos. Cada uma apresenta diferentes manifestações e graus de gravidade", explica a especialista.

Anafilaxia pode surgir na primeira reação

Quando a resposta do organismo é intensa, ocorre a anafilaxia, considerada a forma mais grave de reação alérgica. O quadro pode comprometer vários órgãos simultaneamente e colocar a vida do paciente em risco em questão de minutos.

Nos casos mais graves, a anafilaxia evolui para o chamado choque anafilático, quando ocorre uma queda importante da pressão arterial, podendo provocar perda da consciência, insuficiência respiratória e falência de órgãos.

Um dos principais mitos sobre alergias, segundo especialistas, é acreditar que a primeira reação sempre será leve.

"Isso não é verdade. Existem pacientes cuja primeira manifestação já acontece na forma de uma anafilaxia", alerta Maria Carolina.

Quais são os principais sintomas?

A médica alergologista e imunologista Maria Cecília Figueira, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), explica que os sintomas costumam surgir imediatamente ou poucos minutos após o contato com a substância responsável pela alergia.

Os principais sinais são:

  • placas avermelhadas na pele (urticária), geralmente acompanhadas de intensa coceira;
  • inchaço nos lábios, língua, pálpebras e garganta (angioedema);
  • coriza intensa e congestão nasal;
  • dificuldade para respirar;
  • chiado no peito;
  • rouquidão ou sensação de garganta fechando;
  • vômitos repetidos;
  • dor abdominal intensa;
  • queda repentina da pressão arterial;
  • aceleração dos batimentos cardíacos;
  • tontura, desmaio ou perda da consciência.

A especialista ressalta que pessoas que já sofrem de rinite alérgica devem estar ainda mais atentas, pois alguns sintomas iniciais podem ser confundidos com uma crise comum.

Adrenalina salva vidas

O tratamento da anafilaxia deve ser iniciado imediatamente.

Especialistas são unânimes ao afirmar que a adrenalina aplicada por via intramuscular é o único medicamento capaz de interromper rapidamente a reação alérgica grave.

Anti-histamínicos e corticoides podem ser utilizados posteriormente, mas não substituem a adrenalina nas situações de emergência.

Após a aplicação da medicação, o paciente deve ser levado imediatamente a um hospital para monitoramento, já que a reação pode retornar nas horas seguintes.

Alergia pode aparecer em qualquer idade

Embora muitas alergias tenham início na infância, elas podem surgir em qualquer fase da vida.

Além disso, pessoas que já possuem predisposição podem apresentar reações mais intensas quando existem fatores associados, como:

  • infecções;
  • estresse;
  • privação de sono;
  • consumo de bebidas alcoólicas;
  • uso de alguns medicamentos, principalmente anti-inflamatórios;
  • período pré-menstrual;
  • prática de atividade física após contato com determinados alimentos.

Outro ponto importante é que atualmente não existe nenhum exame capaz de prever quem sofrerá uma anafilaxia antes da primeira manifestação. Os testes alérgicos são indicados apenas quando existe suspeita clínica para identificar o agente responsável pela reação.

Caso de Gracielle Machado reforça importância do diagnóstico precoce

A morte da ex-vereadora e ex-deputada estadual Gracielle Machado evidenciou como um quadro alérgico pode evoluir rapidamente.

Embora cada caso possua características próprias e somente a investigação médica possa determinar exatamente as causas da reação, especialistas destacam que situações como essa reforçam a necessidade de reconhecer precocemente os sinais de anafilaxia e buscar atendimento de emergência sem demora.

Quanto mais cedo a adrenalina é administrada, maiores são as chances de evitar complicações graves e salvar a vida do paciente.

Após qualquer episódio de reação alérgica importante, a orientação é procurar um médico alergista para identificar a causa, definir medidas preventivas e elaborar um plano de ação para futuras exposições.

Além disso, familiares, amigos e cuidadores também devem conhecer os sintomas da anafilaxia, pois o reconhecimento rápido da emergência pode ser decisivo para evitar uma tragédia.


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