SAÚDE INDÍGENA
HU-UFGD realiza primeira teleconsulta especializada em aldeia indígena de Dourados
Projeto de telessaúde busca ampliar acesso a especialistas e reduzir deslocamentos de pacientes indígenas
27/05/2026
07:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Primeira teleconsulta especializada entre o HU-UFGD e a Aldeia Bororó marca avanço da telessaúde indígena em Dourados. @Divulgação
O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados realizou o primeiro atendimento especializado por telessaúde voltado às aldeias indígenas da Reserva Indígena de Dourados (RID). A teleinterconsulta ocorreu entre a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) da Aldeia Bororó e o hospital, marcando o início da rotina assistencial do projeto.
O atendimento especializado foi conduzido na última sexta-feira (22) pelo médico endocrinologista Rafael Domingues de Moraes, por meio de plataforma de teleatendimento. O paciente foi acompanhado presencialmente pela equipe de saúde indígena da UBSI, enquanto o especialista realizou o atendimento remotamente.
A UBSI da Aldeia Bororó e o HU-UFGD estão localizados a cerca de nove quilômetros de distância dentro do município de Dourados, fator que reforça o potencial da telessaúde para reduzir deslocamentos e facilitar o acesso ao atendimento especializado.
Segundo o chefe da Unidade de e-Saúde do hospital, André Rogério da Silva, a consulta ocorreu de forma integrada entre as equipes da atenção básica indígena e os profissionais do hospital.
Durante o atendimento, houve interação em tempo real entre os profissionais da unidade indígena e o médico especialista, permitindo discussão clínica, avaliação conjunta do caso e definição das condutas necessárias.
A proposta do projeto é que as teleinterconsultas sejam realizadas conforme demandas identificadas pelas equipes das duas UBSIs instaladas no território indígena.
TELASSAÚDE INDÍGENA
O projeto “Telessaúde como Ferramenta de Expansão da Conectividade e Acessibilidade ao Sistema Único de Saúde em Território Indígena” é desenvolvido pela Unidade de e-Saúde do HU-UFGD em parceria com o Comitê de Saúde Indígena do hospital e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.
A iniciativa foi lançada em julho de 2025 após aprovação em edital da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, com investimento de R$ 80 mil destinados à compra de equipamentos e ampliação da equipe.
O projeto foi construído em diálogo com lideranças indígenas e profissionais de saúde para garantir atendimento humanizado, acessível e culturalmente sensível às comunidades da Reserva Indígena de Dourados, formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó.
Desde o lançamento, o hospital estruturou a implantação do serviço com a entrega de equipamentos como computadores, webcams, headsets, eletrocardiógrafos, oxímetros, estetoscópios e esfigmomanômetros para as unidades de saúde das aldeias.
CAPACITAÇÃO DAS EQUIPES
Em dezembro de 2025, cerca de 30 profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS) participaram de treinamento promovido pelo HU-UFGD. A capacitação envolveu médicos, enfermeiros, farmacêuticos e integrantes das áreas de tecnologia e saúde indígena do hospital.
O coordenador do projeto e chefe da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU-UFGD, Junior Eduvirgem, destacou que os equipamentos representam um avanço inédito no atendimento dentro da reserva indígena.
Já o gerente de Ensino e Pesquisa do hospital, Thiago Pauluzi Justino, afirmou que a capacitação foi estratégica para garantir segurança e eficiência na implantação do serviço.
Segundo ele, o uso da telessaúde deve reduzir deslocamentos até a cidade, ampliar o acesso a especialistas, acelerar diagnósticos e fortalecer o acompanhamento contínuo dos pacientes indígenas.
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