Campo Grande (MS), Quarta-feira, 03 de Junho de 2026

ECONOMIA NACIONAL

Mercado eleva previsão da inflação para 4,91% em 2026

Estimativa supera teto da meta definida pelo Banco Central e pressão nos combustíveis preocupa analistas

11/05/2026

09:40

REDAÇÃO

Mercado financeiro voltou a elevar previsão da inflação para 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. @Joédson Alves / Agência Brasil

O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação oficial do país para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 4,89% para 4,91%.

Esta é a nona semana consecutiva de alta nas projeções do mercado para a inflação brasileira em 2026.

Com o novo índice, a previsão ultrapassa novamente o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite máximo permitido é de 4,5%.

Entre os principais fatores que pressionam os preços estão os impactos da guerra no Oriente Médio, que têm provocado aumento nos combustíveis e reflexos em diferentes setores da economia.

Em março, a inflação oficial do país fechou em 0,88%, acima do resultado de fevereiro, que havia sido de 0,7%. No acumulado de 12 meses, o IPCA ficou em 4,14%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para os próximos anos, o mercado projeta inflação de 4% em 2027, 3,64% em 2028 e 3,5% em 2029.

A taxa básica de juros, a Selic, atualmente está em 14,5% ao ano. Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), realizada na semana passada, o Banco Central reduziu os juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva.

Mesmo com a redução, a Selic segue em patamar elevado. Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas.

Segundo o Banco Central, o cenário internacional e os efeitos da guerra sobre combustíveis e alimentos continuam sendo monitorados devido ao impacto direto na inflação.

A próxima reunião do Copom para definição da Selic está marcada para os dias 16 e 17 de junho.

O mercado financeiro estima que a taxa básica encerre 2026 em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é de queda para 11,25% e 10%, respectivamente.

O Boletim Focus também manteve a previsão de crescimento da economia brasileira em 1,85% neste ano. Para 2027, a expectativa do PIB subiu levemente de 1,75% para 1,76%.

Já a projeção para o dólar no fim de 2026 permanece em R$ 5,20.


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