ECONOMIA / CUSTO DA SAÚDE
Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9% em 2026
11/05/2026
07:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Reajuste médio dos planos de saúde coletivos ficou em 9,9% nos primeiros meses de 2026, segundo dados da ANS. @Reprodução
Percentual é o menor dos últimos cinco anos, mas segue acima da inflação oficial registrada no país
Os planos de saúde coletivos registraram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Apesar de representar a menor alta dos últimos cinco anos, o índice ainda supera em mais do que o dobro a inflação oficial do país.
O levantamento considera os reajustes aplicados pelas operadoras entre janeiro e fevereiro deste ano nos contratos coletivos, modalidade que inclui planos empresariais, associações de classe e contratos firmados por empresários individuais.
A última vez que os planos coletivos tiveram reajuste inferior ao registrado em 2026 foi em 2021, durante a pandemia de covid-19, quando o aumento médio ficou em 6,43%.
Nos anos seguintes, os reajustes voltaram a subir e chegaram a 14,13% em 2023 e 13,18% em 2024. Em 2025, a média ficou em 10,76%.
Para efeito de comparação, a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulava 3,81% em fevereiro deste ano.
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) costuma criticar reajustes acima da inflação, argumentando que os aumentos pesam no orçamento das famílias brasileiras.
A ANS, por outro lado, afirma que a comparação direta entre inflação e reajuste dos planos não é adequada, já que os custos da saúde suplementar envolvem fatores específicos, como aumento de preços de serviços médicos, exames, internações e maior utilização do sistema pelos beneficiários.
Diferentemente dos planos individuais e familiares, em que a ANS define o percentual máximo de reajuste, os planos coletivos têm os aumentos negociados diretamente entre as empresas contratantes e as operadoras.
Nos contratos com até 29 beneficiários, o reajuste médio registrado em 2026 foi de 13,48%. Já os planos com 30 ou mais vidas tiveram aumento médio de 8,71%.
Segundo a agência reguladora, cerca de 77% dos usuários estão em planos com mais de 30 beneficiários.
Os dados mais recentes da ANS mostram que o Brasil possuía 53 milhões de vínculos em planos de saúde em março de 2026, crescimento de 906 mil contratos em relação ao mesmo período do ano anterior.
Do total de clientes, 84% pertencem a planos coletivos.
O setor de saúde suplementar também registrou lucro recorde em 2025. Conforme a ANS, as operadoras tiveram receita total de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior da história do segmento.
Isso significa que, a cada R$ 100 recebidos pelas empresas, aproximadamente R$ 6,20 foram convertidos em lucro.
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