CULTURA / ESPETÁCULO DE DANÇA ESTREIA EM ESPAÇO HISTÓRICO CAPITAL
“Corpo Sobre Penas” propõe reflexão sobre tempo, resistência e vida contemporânea
Apresentações gratuitas acontecem no antigo Hotel Gaspar com ação solidária
04/05/2026
08:30
REDAÇÃO
Espetáculo “Corpo Sobre Penas” estreia em espaço histórico de Campo Grande com proposta sensorial e reflexiva
A cena cultural de Campo Grande recebe, nesta sexta-feira (8) e sábado (9), a estreia do espetáculo de dança “Corpo Sobre Penas”, criação do artista sul-mato-grossense Halisson Nunes. As apresentações acontecem às 19h30 no Hotel Gaspar, com entrada gratuita mediante doação de 1 kg de alimento ou item de higiene.
A performance convida o público a refletir sobre temas como escassez, tempo e resistência, propondo uma experiência sensorial que une dança, artes visuais e literatura. Com duração de cerca de 40 minutos e classificação livre, a obra apresenta um corpo em constante transformação, atravessado por ausências e tentativas de reorganização no mundo contemporâneo.
A criação é inspirada em referências como o livro Vidas Secas, a pintura Retirantes e a personagem Frankenstein. Segundo o artista, a proposta não é narrar essas obras, mas absorver suas estéticas e sensações, traduzidas em movimento e presença cênica.
“É um trabalho que se constrói na relação com o tempo e com o ambiente. A ideia é provocar o público a perceber outras formas de existência e resistência”, explica Halisson.
A trilha sonora e direção artística são assinadas por Fernando Martins, que desenvolveu o projeto em parceria com o bailarino ao longo de meses, em um intercâmbio entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. Segundo ele, o som atua como elemento ativo na cena, interferindo diretamente nas decisões e no ritmo da performance.
Além das apresentações, o projeto prevê uma roda de conversa no domingo (10), às 10h, aberta ao público, com café da manhã, ampliando o diálogo sobre o processo criativo e as pesquisas envolvidas.
O local escolhido para a estreia também carrega significado. Inaugurado na década de 1950, o Hotel Gaspar foi um dos principais pontos de chegada da cidade, funcionando por anos como uma espécie de rodoviária e espaço de encontros. Atualmente desativado, o prédio reabre de forma pontual para receber o espetáculo, conectando memória e arte.
O projeto integra a iniciativa “Corpo Fantasma – Protótipo A” e conta com financiamento do Fundo Municipal de Investimentos Culturais, por meio da Fundação Municipal de Cultura.
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