Campo Grande (MS), Quarta-feira, 03 de Junho de 2026

EMPREGO E DESIGUALDADE

Mulheres ocupam 36,7% dos empregos em grandes empresas de MS

Levantamento aponta diferença salarial de 26,1% entre homens e mulheres no Estado

29/04/2026

09:40

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Mulheres ampliam participação no mercado de trabalho, mas ainda enfrentam desigualdade salarial em Mato Grosso do Sul @Getty Images

As mulheres ocupam 36,7% dos vínculos empregatícios em empresas com 100 ou mais funcionários em Mato Grosso do Sul. Os dados fazem parte do Relatório de Transparência Salarial divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em conjunto com o Ministério das Mulheres.

Ao todo, o Estado contabiliza 226,1 mil vínculos formais nesse tipo de estabelecimento. Desse total, 83 mil são ocupados por mulheres, sendo 50 mil por mulheres negras e 32,9 mil por mulheres não negras. Já os homens somam 143,1 mil vínculos.

Apesar da presença feminina no mercado de trabalho, o levantamento evidencia desigualdade salarial. Em Mato Grosso do Sul, a remuneração média das mulheres é de R$ 3.065,70, enquanto os homens recebem, em média, R$ 4.151,02 — uma diferença de 26,1%.

Entre os recortes, mulheres negras apresentam rendimento médio de R$ 2.658,43, abaixo das mulheres não negras, que recebem R$ 3.706,03. Entre os homens, os salários médios são de R$ 3.701,36 para negros e R$ 5.067,47 para não negros.

CRESCIMENTO DO EMPREGO FEMININO

Em nível nacional, o relatório aponta crescimento da participação feminina no mercado formal. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres pretas e pardas empregadas em empresas com 100 ou mais funcionários aumentou 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

No total, o número de mulheres empregadas cresceu 11% no período, alcançando 8 milhões de trabalhadoras formais no país.

DESAFIOS PERSISTEM

Apesar do avanço, a desigualdade salarial ainda é um desafio. No Brasil, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em grandes empresas, percentual superior ao registrado em 2023.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a discussão vai além dos salários. Segundo ela, é necessário garantir melhores condições de trabalho e igualdade de oportunidades.

Já o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reforçou a importância da valorização das mulheres também na progressão de carreira e ocupação de cargos de liderança.

IMPACTO ECONÔMICO

O estudo aponta que a equiparação salarial poderia gerar impacto significativo na economia. Para igualar a massa de rendimentos das mulheres à sua participação no emprego formal, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões por ano na remuneração feminina no país.

Segundo o relatório, essa medida elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos, contribuindo para o crescimento econômico e a redução das desigualdades.


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