SAÚDE / ALERTA RESPIRATÓRIO
Vírus sincicial respiratório avança e preocupa especialistas no Brasil
Infecção ainda pouco conhecida já responde por parcela significativa dos casos graves e pode afetar idosos e pessoas com comorbidades
13/04/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Vírus sincicial respiratório cresce no país e acende alerta para casos graves, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas © Prefeitura de SP/Divulgação
O aumento dos casos de Influenza A tem chamado atenção, mas outro agente também preocupa especialistas: o vírus sincicial respiratório. Dados do Ministério da Saúde indicam que, no primeiro trimestre deste ano, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave com identificação viral foram causados pelo VSR.
A tendência é de crescimento. Informações do boletim Infogripe, da Fiocruz, mostram que a participação do vírus passou de 14% entre fevereiro e março para 19,9% entre março e abril. Em 2025, o VSR foi o vírus mais prevalente por 23 semanas consecutivas.
Apesar dos números, especialistas alertam que os dados podem estar subestimados. Segundo a pneumologista Rosemeri Maurici, a ampliação da testagem para o vírus ocorreu apenas após a pandemia de COVID-19, o que dificulta a real dimensão do problema.
Entre os cerca de 27,6 mil casos de síndrome respiratória aguda grave registrados no início do ano, apenas um terço teve o vírus identificado. Além disso, quase 17% dos pacientes sequer foram testados.
Embora seja conhecido por causar bronquiolite em bebês, o VSR também pode atingir adultos e idosos, especialmente aqueles com doenças pré-existentes. Dos casos graves registrados no período, a maioria ocorreu em crianças menores de dois anos, mas as mortes também atingem idosos, grupo mais vulnerável devido à queda natural da imunidade com o envelhecimento.
De acordo com a geriatra Maisa Kairalla, o envelhecimento e a presença de doenças crônicas aumentam o risco de complicações. Estudos indicam que idosos com VSR têm 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia e o dobro de risco de internação em UTI e morte, em comparação com casos de influenza.
O impacto também é maior em pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes e problemas respiratórios crônicos, como asma e DPOC. Segundo especialistas, infecções virais podem desencadear inflamações sistêmicas, elevando o risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral.
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A vacinação é uma das principais formas de prevenção, mas os imunizantes contra o VSR para adultos ainda estão disponíveis apenas na rede privada. No Sistema Único de Saúde, a proteção é oferecida apenas para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
Entidades médicas recomendam a vacinação para pessoas entre 50 e 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos, enquanto especialistas defendem a ampliação do acesso por meio da rede pública.
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