ALMS /PRESSÃO DOS SERVIDORES
“Não é reajuste, é perda”: Gleice Jane critica política salarial e cobra resposta do governo
Deputada afirma que índice aplicado não repõe inflação e aponta descontentamento crescente entre servidores
31/03/2026
18:00
REDAÇÃO
Com o plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) ocupado por servidores públicos de diversas categorias, a deputada estadual professora Gleice Jane (PT) fez duras críticas à política salarial do governo estadual durante debate realizado nesta terça-feira (31).
A discussão foi motivada pela aplicação do índice de 3,81% sobre os vencimentos dos servidores. Segundo parlamentares da oposição e representantes sindicais, o percentual não recompõe a inflação e contribui para o aumento da defasagem salarial.
Para Gleice Jane, o índice não pode ser considerado reajuste. “Não se trata de RGA. Trata-se de uma política de achatamento salarial dos servidores públicos, e isso nós não podemos aceitar”, afirmou na tribuna.
A deputada também relacionou o descontentamento da categoria ao não cumprimento de promessas feitas durante o período eleitoral. Entre os pontos citados, está a equiparação salarial entre professores contratados e efetivos, que, segundo ela, ainda não avançou.
“Os servidores já tomaram sua decisão, inclusive no processo eleitoral. E é justo. Foram muitas promessas. Eu me lembro de estar em sala de aula ouvindo essas promessas, e até hoje sequer começou uma política real de recuperação salarial”, declarou.
Gleice relembrou ainda medidas de gestões anteriores que impactaram a categoria, como a redução salarial de professores contratados em 2019 e a cobrança de 14% sobre aposentadorias.
A parlamentar também criticou a política fiscal do governo, apontando contradições entre incentivos concedidos a empresas e o tratamento dado aos servidores públicos. Segundo ela, há prioridade para benefícios fiscais enquanto trabalhadores enfrentam perdas salariais.
Como exemplo, citou visita recente a Ribas do Rio Pardo, onde, de acordo com a deputada, a instalação de grandes empreendimentos tem elevado o custo de vida e agravado problemas sociais.
Outro ponto levantado foi a falta de transparência na gestão estadual, especialmente em relação ao atendimento de pedidos de informação sobre a aplicação de recursos públicos.
Ao final, Gleice Jane afirmou que a mobilização dos servidores reflete um descontentamento mais amplo, marcado por frustração com promessas não cumpridas e pela percepção de perda contínua de direitos.
“Ou o governo enxerga os servidores e respeita quem sustenta o Estado, ou precisa parar de prometer aquilo que não vai cumprir”, concluiu.
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