Campo Grande (MS), Quinta-feira, 26 de Março de 2026

SAÚDE PÚBLICA

Rastreamento do câncer colorretal pode ser incorporado ao SUS

Diretriz em análise prevê exames periódicos para pessoas entre 50 e 75 anos e busca ampliar diagnóstico precoce da doença

20/03/2026

07:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Proposta prevê teste de sangue oculto nas fezes e colonoscopia para reduzir mortes por câncer de intestino

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá passar a contar com um programa estruturado de rastreamento do câncer colorretal, tipo de tumor que afeta o intestino grosso e o reto e tem registrado aumento no número de casos e mortes no Brasil.

A proposta foi elaborada por especialistas e já recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. O documento ainda será submetido a consulta pública antes da decisão final do Ministério da Saúde sobre a adoção da medida.

Pelas diretrizes iniciais, pessoas entre 50 e 75 anos, sem sintomas ou fatores de risco, deverão realizar o exame imunoquímico para detecção de sangue oculto nas fezes a cada dois anos. Caso o resultado seja positivo, o paciente será encaminhado para colonoscopia, exame que permite identificar a causa do sangramento e iniciar o tratamento adequado.

Diagnóstico precoce

O principal objetivo da proposta é identificar lesões ainda em estágio inicial ou até mesmo antes de se tornarem câncer, aumentando significativamente as chances de cura e reduzindo a mortalidade.

Segundo especialistas do Instituto Nacional de Câncer, o câncer colorretal tem alta taxa de mortalidade justamente porque, na maioria dos casos, é diagnosticado tardiamente. A implementação de um programa organizado pode mudar esse cenário ao permitir a convocação ativa da população para exames preventivos.

Além de detectar a doença precocemente, o rastreamento também possibilita a identificação e retirada de pólipos, lesões pré-cancerígenas que podem evoluir para tumores malignos se não tratadas.

Implementação gradual

A expectativa é que a estratégia seja implantada de forma escalonada no país, começando por regiões específicas até alcançar todo o território nacional. O modelo exige organização do sistema de saúde para garantir o acompanhamento dos pacientes, desde a realização do exame até o eventual tratamento.

Especialistas destacam que o desafio é ampliar o acesso sem comprometer o atendimento de pacientes que já apresentam sintomas e necessitam de diagnóstico imediato.

Sinais de alerta

Embora o rastreamento seja voltado para pessoas sem sintomas, médicos alertam para sinais que devem ser investigados com urgência, como anemia, fraqueza, perda de peso, dor abdominal, alterações no hábito intestinal e fezes mais finas.

A recomendação é que a população busque orientação médica ao perceber qualquer mudança persistente, especialmente durante o Março Azul, período dedicado à conscientização sobre a doença.

Com a possível incorporação da nova diretriz, o SUS pode avançar no enfrentamento do câncer colorretal, ampliando o diagnóstico precoce e contribuindo para a redução de mortes causadas pela doença.


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