CRÉDITO E EMPREENDEDORISMO FEMININO
BNDES reduz juros para mulheres em cooperativas e anuncia novas linhas de financiamento
Medidas incluem crédito mais barato, prazos maiores e apoio a projetos de empreendedorismo feminino
13/03/2026
08:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou medidas de apoio ao empreendedorismo feminino e acesso ao crédito Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou a redução da taxa de juros em empréstimos para mulheres que fazem parte de cooperativas de crédito. A medida começa a valer a partir de abril e foi apresentada durante evento realizado na sede do banco, na Rio de Janeiro, em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
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A redução ocorrerá por meio da diminuição do spread, que é a diferença entre o custo do dinheiro para o banco e o valor cobrado nos financiamentos. Para cooperadas das regiões Norte e Nordeste, a remuneração do banco cairá de 0,85% para 0,50% ao ano. Nas demais regiões do país, a taxa será reduzida de 1,25% para 0,85% ao ano.
Além da redução nos juros, o prazo para pagamento dos financiamentos também será ampliado. O período máximo passará de 12 para até 15 anos, com dois anos de carência para início da amortização. A mudança, segundo o banco, deve reduzir o valor das parcelas e ampliar o acesso ao crédito.
De acordo com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante, fortalecer o cooperativismo é uma das prioridades da instituição.
Ele destacou que ampliar o acesso das mulheres ao crédito contribui para aumentar a participação feminina nas cooperativas e fortalecer a geração de renda em pequenas propriedades rurais e pequenos negócios.
Atualmente, as cooperativas de crédito somam cerca de 20 milhões de associados no Brasil, sendo que as mulheres representam aproximadamente 44,5%. Mesmo assim, apenas 27% das operações do programa de financiamento do BNDES são contratadas por mulheres.
Nos últimos anos, o banco também ampliou o limite de financiamento por meio das cooperativas, que passou de R$ 30 mil para até R$ 100 mil. Entre 2023 e 2025, o volume de crédito com recursos do BNDES repassados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito chegou a R$ 99,5 bilhões.
A diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do banco, Maria Fernanda Coelho, destacou que o cooperativismo de crédito é uma ferramenta importante para inclusão financeira e desenvolvimento regional.
Ela afirmou que condições mais favoráveis para mulheres podem estimular o acesso ao crédito, fortalecer cooperativas e ampliar as oportunidades de geração de renda.
O banco também anunciou outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico feminino. Entre elas está a liberação de até R$ 80 milhões para o programa BNDES Periferias, voltado a projetos em favelas e áreas periféricas.
A iniciativa pretende apoiar organizações da sociedade civil e instituições sem fins lucrativos que promovam capacitação de mulheres empreendedoras, incluindo formação profissional, gestão de negócios, mentorias e acesso a redes de mercado e capital.
Dentro do mesmo programa, também serão incentivados projetos relacionados ao chamado trabalho de cuidado, como serviços domiciliares para crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias.
A diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, destacou que as periferias concentram grande parte das mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas responsáveis por atividades de cuidado.
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A diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Outra medida anunciada foi a criação de uma linha de financiamento destinada a estados e municípios que desenvolvam políticas públicas voltadas à segurança das mulheres. Os recursos poderão ser utilizados, por exemplo, na construção de delegacias especializadas, no fortalecimento da Patrulha Maria da Penha e em melhorias na iluminação pública.
Nesse caso, o financiamento poderá chegar a até 90% do valor dos projetos, com prazo total de até 24 anos para pagamento.
Durante o evento, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social também assinou uma carta de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres.
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