Campo Grande (MS), Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026

INCLUSÃO E OPORTUNIDADES

Primt cria cota para mães e pais de crianças neurodiversas a partir de 2026

Programa municipal amplia alcance social e facilita a reinserção desse público no mercado de trabalho em Campo Grande

22/01/2026

07:00

REDAÇÃO

Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho passa a reservar vagas para mães e pais de crianças neurodiversas a partir de 2026, ampliando o alcance social da política pública em Campo Grande. @Divulgação

Prevista na Lei Municipal nº 7.374/2025, uma inovação do Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho) passa a valer a partir de 2026: a criação de uma cota específica destinada a mães e pais de crianças neurodiversas. A medida amplia o caráter social do programa e busca garantir condições reais de reinserção profissional para famílias que enfrentam rotinas intensas de cuidados, tratamentos e acompanhamento educacional.

O Primt funciona como uma ponte entre o cidadão e o mercado de trabalho, oferecendo uma fase de ambientação que prepara os beneficiários para futuras contratações, com mais acesso, estabilidade e qualificação profissional. A nova cota reconhece as dificuldades enfrentadas por pais atípicos, que muitas vezes precisam deixar empregos formais para atender às demandas dos filhos.

A experiência já trouxe resultados positivos para Lays Rezende, de 28 anos, moradora do bairro Paulo Coelho Machado e mãe de três filhos, um deles neurodiverso. Ela participou de edições anteriores do programa e relata que a oportunidade foi decisiva para conciliar renda e cuidado familiar.

“Consegui obter uma renda para investir melhor nos tratamentos do meu filho, além de acompanhar de perto consultas, a escola e o diálogo com os professores. Foi algo que eu não teria no serviço em que estava antes, que precisei deixar justamente para cuidar dele”, conta Lays, inscrita no primeiro dia do Primt Itinerante 2026.

Agora, buscando uma nova participação, ela afirma ter objetivos claros. “Quero fazer o maior número possível de cursos da Escola Funsat, aprender bastante no setor em que atuar e iniciar um curso superior ainda este ano. Só com qualificação vou conseguir me fixar e crescer no mercado de trabalho”, analisa.

A nova cota também representa uma chance de recomeço para Débora Alves de Almeida, de 28 anos, moradora do bairro Los Angeles, mãe solo e atípica. Dos três filhos, Ítalo é quem exige maior acompanhamento, com atendimentos médicos, terapias e até ações judiciais para garantir acesso a tratamentos. Segundo ela, as constantes ausências necessárias acabaram resultando em demissões ao longo do tempo.

“Foram seis meses de consultas até fechar o diagnóstico, e nesse período perdi empregos porque não havia compreensão. No Primt, a lei garante que a mãe ou o pai atípico seja entendido. Isso faz toda a diferença”, afirma Débora, que chegou a Campo Grande em 2021, vinda do Amazonas, em busca de oportunidades.

Determinada, ela enfrentou horas de fila para garantir a inscrição. “Cheguei na noite anterior e passei sete horas do lado de fora, mas consegui. Essa vaga de cota vai ser muito disputada, porque atende uma necessidade real”, relata.

Para Débora, a iniciativa vai além do benefício individual e pode servir de exemplo. “Espero que as empresas sigam o exemplo da Prefeitura de Campo Grande, entendendo que é possível adaptar horários e ainda contar com a contribuição dessas mães e pais. Precisamos de oportunidades para crescer pessoal e profissionalmente”, pontua.

Com foco na qualificação, ela destaca o principal objetivo ao ingressar no programa. “Quero fazer cursos, melhorar meu currículo e conquistar um bom emprego no futuro. O Primt abre uma porta para quem precisa e agora inclui famílias de crianças neurodiversas. É um direito nosso”, reforça.

A criação da cota específica reforça o papel do Primt como política pública de inclusão, ao reconhecer realidades distintas e promover igualdade de oportunidades para quem enfrenta desafios adicionais no acesso ao mercado de trabalho.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Jornal Correio MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: