Campo Grande (MS), Quinta-feira, 02 de Julho de 2026

SAÚDE / ALERTA SANITÁRIO

Caso de sarampo em bebê reforça importância da vacinação e acende alerta no país

Especialistas destacam que alta cobertura vacinal protege quem não pode se imunizar e evita novos surtos da doença no Brasil

18/03/2026

07:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Vacina tríplice viral é a principal forma de prevenção contra o sarampo e outras doenças infecciosas © Tomaz Silva/Agência Brasil

A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses, em São Paulo, reacendeu o alerta sobre a importância de manter altas coberturas vacinais no Brasil. A criança ainda não tinha idade para receber a vacina, o que reforça a necessidade da chamada proteção coletiva para evitar a circulação do vírus.

De acordo com o calendário do Sistema Único de Saúde, a primeira dose da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — deve ser aplicada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, é administrada a tetra viral, que inclui também a proteção contra a catapora.

Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, a alta cobertura vacinal cria uma barreira que impede a transmissão do vírus.

“A vacina do sarampo impede tanto a infecção quanto a transmissão, com alta efetividade. Ela tem efeito esterilizante, ou seja, protege o indivíduo e também evita que ele transmita o vírus”, explica.

A bebê infectada havia viajado com a família para a Bolívia, que enfrenta um surto da doença desde o ano passado. Casos importados como esse aumentam o risco de reintrodução do vírus no país.

“O sarampo é extremamente transmissível, principalmente entre não vacinados. Sem uma cobertura elevada, o vírus encontra espaço para circular, mesmo sem necessidade de viagens internacionais”, alerta o especialista.

Dados recentes mostram que 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal no tempo adequado, índice abaixo do ideal.

Apesar disso, o Brasil mantém o certificado de eliminação do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024, já que não há transmissão sustentada da doença. O país, no entanto, já perdeu esse status anteriormente, em 2019, após surtos iniciados por casos importados.

Proteção ao longo da vida

A vacinação continua sendo essencial em todas as idades. Pessoas sem comprovante vacinal devem se imunizar: entre 5 e 29 anos, são recomendadas duas doses; dos 30 aos 59 anos, apenas uma dose.

A vacina não é indicada para gestantes e pessoas imunocomprometidas, o que torna a imunização coletiva ainda mais importante para proteger esses grupos.

Bloqueio vacinal e resposta rápida

Segundo o Programa Nacional de Imunizações, ao identificar um caso suspeito, as autoridades iniciam imediatamente o chamado bloqueio vacinal, que consiste em vacinar todas as pessoas que tiveram contato com o paciente.

Equipes de saúde também realizam busca ativa de novos casos, visitando residências próximas e investigando possíveis sintomas em unidades de saúde e laboratórios.

Em situações específicas, bebês entre 6 meses e 1 ano podem receber a chamada “dose zero”, aplicada de forma emergencial, sem substituir as doses do calendário regular.

Após a confirmação de um caso, o paciente e a comunidade são monitorados por até três meses, período necessário para descartar novas transmissões.

Cenário nas Américas preocupa

O avanço do sarampo nas Américas acende um sinal de alerta. Em 2025, foram registrados 14.891 casos em 14 países, com 29 mortes. Em 2026, até o início de março, mais de 7 mil infecções já haviam sido confirmadas.

Os países mais afetados são Estados Unidos, México e Guatemala.

A maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, especialmente crianças menores de 1 ano. A doença pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite, além de provocar uma queda temporária da imunidade, deixando o organismo mais vulnerável a outras infecções.

Os principais sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar.

Risco com viagens internacionais

Autoridades de saúde também alertam para o aumento do risco com a circulação internacional de pessoas. Países com alta incidência da doença devem receber grande fluxo de turistas nos próximos meses, o que pode favorecer a disseminação do vírus.

No Brasil, regiões turísticas como litoral, Amazônia, Pantanal e Foz do Iguaçu também exigem atenção especial devido à entrada de visitantes estrangeiros.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já intensificou ações de orientação em aeroportos e portos, reforçando a importância da vacinação.

Especialistas são unânimes: manter a carteira de vacinação atualizada é a forma mais eficaz de evitar o retorno do sarampo e proteger toda a população.

 


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