POLÍTICA INTERNACIONAL
Trump e Moraes: tensão diplomática entre EUA e Brasil se aprofunda com tarifas e veto de vistos
Ex-presidente dos EUA e Supremo brasileiro trocam acusações enquanto Bolsonaro é alvo de medidas judiciais de Alexandre de Moraes
19/07/2025
09:00
REDAÇÃO
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em meio à crescente tensão política, critica publicamente decisões do ministro Alexandre de Moraes no STF brasileir
Desde o início de julho de 2025, a relação entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma crise política e diplomática. O ex-presidente americano Donald Trump, que assumiu um novo mandato no fim de janeiro, se posicionou publicamente como aliado do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, expressando apoio às suas denúncias de perseguição judicial.
Em meio ao julgamento que investiga Bolsonaro por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou uma série de medidas que incluem toque de recolher noturno, uso de tornozeleira eletrônica, proibição de redes sociais e de contato com diplomatas estrangeiros e familiares — tudo com o objetivo de barrar o que considera atos de subversão democrática.
Em resposta, Trump criticou a ação do tribunal brasileiro como uma “caça às bruxas” e anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, ameaçando o Brasil com retaliações comerciais. Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, revogou o visto de Alexandre de Moraes e aliados, alegando que o ministro teria extrapolado suas competências e atingido cidadãos americanos por meio de decisões judiciais no Brasil.
Em resposta, o Itamaraty repudiou veementemente o ato, afirmando que qualquer tentativa de politizar decisões judiciais brasileiras é inaceitável e destacou que o Supremo atua dentro da jurisdição nacional e dos preceitos da Constituição brasileira. Além disso, ministros do STJ divulgaram uma nota reafirmando o respeito à independência judicial, enfatizando que os recursos contra decisões de Moraes seguem os trâmites legais dentro do Brasil.
Paralelamente, o grupo Trump Media & Technology Group e a plataforma de vídeos Rumble, controladas por aliados de Trump, moveram ações judiciais contra Moraes nos Estados Unidos, alegando censura e ilegalidade nas determinações que suspenderam contas de plataformas conservadoras brasileiras. Um tribunal americano chegou a reconhecer que as ordens do ministro não tiveram validade legal nos EUA, por falhas de jurisdição e comunicação formal, configurando-se como proteção à liberdade de expressão nos EUA .
O próprio Moraes respondeu aos ataques afirmando que o Brasil não é colônia dos EUA e que resistirá a tentativas de condicionamento externo. Ele citou que decisões do STF têm legitimidade apenas dentro da jurisdição nacional brasileira, reiterando a soberania do país diante de pressões estrangeiras.
No plano econômico, a política protecionista de Trump — incluindo o chamado “tarifaço” de 50% sobre produtos brasileiros — provocou um movimento de mobilização nacional conhecido como “vampetaço”, ação simbólica nas redes sociais em resposta às tarifas e à pressão americana. A disputa comercial já motivou investigação brasileira junto à OMC e foi alvo de retaliação por parte do governo Lula, que anunciou medidas de reciprocidade e mobilizou setores da sociedade em defesa da soberania nacional.
A tensão entre governantes e tribunais acirra não apenas questões diplomáticas, mas debate sobre soberania, liberdade de expressão e limites da jurisdição entre países. O embate entre Donald Trump e Alexandre de Moraes representa muito mais do que declarações de adversários ideológicos — reflete um momento de redefinição das fronteiras do poder judicial perante a política externa e a visão de autonomia do Brasil frente a pressões internacionais.
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