Campo Grande (MS), Segunda-feira, 20 de Abril de 2026

BATAGUASSU| Marido com comorbidades supera, mas esposa sucumbe à covid-19

04/08/2020

06:45

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Uma mesma fam�lia conhece a dor provocada pelo novo coronav�rus e tamb�m a alegria de venc�-la

Lu�s e Eug�nia, na formatura de um dos nove netos �Arquivo da Fam�lia
Em seus �ltimos minutos de vida, Eug�nia Veiga Moraes, de 71 anos, pediu ao marido, estava internado ao seu lado, para que cuidasse dos seus netos. A lembran�a faz a filha de Eug�nia, M�rcia Rog�lia Moraes Lira, 50 anos, chorar.

Morta em 28 de julho com covid-19, a m�e de cinco filhos, tem nove netos, todos muito amados.

M�rcia conta que a morte da m�e foi totalmente inesperada, principalmente porque apesar de idosa, Eug�nia era sadia, sem comorbidades.  O pai, de 72, tem problema card�aco, diabetes e hipertens�o e era a verdadeira preocupa��o da fam�lia em rela��o ao poss�vel cont�gio com o novo coronav�rus. E ele foi infectado antes dela.

�Meu pai ficou pior na verdade, teve mais sintomas. Febre, tosse, dor no corpo, dor de barriga, fraqueza nas pernas�, contou a filha, lembrado que o pai, Lu�s Carlos Moraes (Lica), foi internado na quinta-feira, 23 de julho e a m�e, um dia depois e ficaram lado a lado na enfermaria de covid-19 da Santa Casa de Bataguassu, munic�pio onde moram.

Isso, at� Eug�nia piorar, quatro dias depois. Em 28 de julho, ela passou mal, teve um desmaio, mas �voltou�, segundo M�rcia. Logo depois, ela j� seria levada para um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas antes, pediu ao marido. �Cuida dos meus netos�.
Eug�nia com as filhas �Arquivo de Fam�lia

Ela n�o sabia, mas talvez j� sentisse que eram seus �ltimos minutos. Saindo dali, acompanhada da equipe m�dica para ser entubada, Eug�nia n�o resistiu, depois de sofrer uma parada c�rdiorrespirat�ria ao come�ar o processo de entuba��o.

Um dos sintomas da covid-19 � a falta de apetite e conforme a filha, tanto Eug�nia quanto Lu�s n�o comiam h� pelo menos tr�s ou quatro dias, mesmo no hospital. �Eles n�o sentiam fome�, diz M�rcia.

Ironia ou n�o, o pai recebeu alta no mesmo dia em que a m�e faleceu. Do hospital, ele e a filha sa�ram direto pro cemit�rio. �Meu pai, quando saiu, foi direto pra enterrar minha m�e. S� podiam ir duas pessoas e ele mal conseguia andar, porque n�o comia nada h� dias�, relembra.

Para M�rcia, n�o existe uma explica��o l�gica para o fato da m�e, que aos 71 anos, �n�o tomava nenhum rem�dio�, ter sido levada e o pai, j� t�o desgastado com v�rios tratamentos de sa�de, ter vencido a covid-19. �N�o tem como explicar. A gente v� muitos casos de pessoas sem comorbidades e que acabam falecendo. Essa doen�a que � assim, n�o tem como explicar�, repete.

Assim, o consolo � lembrar de como a m�e tinha f� e de como isso ficar� gravado na vida dos filhos. �Era uma mulher de muita f�. Tudo ela colocava Deus na frente, falava que temos que crer, se crermos, Deus nos d� o que precisamos�, sustenta M�rcia, enfatizando ainda que �ela prezava demais os netos�.
Fam�lia reunida �Arquivo da Fam�lia
�O que ficou muito marcado pra mim nesses �ltimos dias � que ela se preocupava mais com meu pai do que com ela, por causa da condi��o dele. Ela sempre deixava de cuidar de si, para cuidar dele�, disse a filha, que mesmo n�o entendendo porqu� um ficou e outro foi levado, se alegra e se entristece pelo mesmo motivo, j� que vencer a covid-19 � uma vit�ria tamanha para um pai com tantas comorbidades, mas perder a m�e, por outro lado, � uma saudade eterna. 

Fonte: CAMPO GRANDE NEWS
Por: Lucia Morel 

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