Campo Grande (MS), Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

SAÚDE INFANTIL

Diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas aumenta chances de tratamento e qualidade de vida

Cerca de 30 mil crianças nascem todos os anos no Brasil com algum tipo de malformação cardíaca

12/06/2026

07:35

REDAÇÃO

Diagnóstico precoce e acompanhamento especializado aumentam as chances de tratamento e qualidade de vida de crianças com cardiopatias congênitas. © visoot/ Adobe Stock

Cerca de 30 mil crianças nascem anualmente no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita, segundo dados do Ministério da Saúde. A condição, considerada uma das principais causas de mortalidade infantil por malformações, exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado para aumentar as chances de sobrevivência e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.

Nesta sexta-feira (12), quando é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, especialistas reforçam a importância da identificação precoce da doença e do acesso ao tratamento adequado.

A coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Renata Mattos, destaca que o acesso ao diagnóstico vem avançando no país, embora ainda existam diferenças entre as regiões brasileiras.

Segundo a médica, a cardiopatia congênita engloba diversas malformações cardíacas que surgem durante a formação do bebê ainda no período gestacional. A gravidade pode variar desde casos simples até situações que exigem intervenção logo nos primeiros dias de vida.

Diagnóstico ainda na gestação ajuda no planejamento

O diagnóstico pode ocorrer durante o pré-natal, por meio do ecocardiograma fetal. Embora poucas situações permitam correções ainda dentro do útero, a identificação antecipada possibilita que a equipe médica planeje o parto e os cuidados necessários após o nascimento.

Nos casos mais graves, o bebê pode precisar de atendimento imediato em unidades especializadas, com suporte de UTI neonatal, cirurgia cardíaca ou procedimentos por cateterismo.

Já em situações menos complexas, a gestação pode seguir normalmente, com acompanhamento médico até o nascimento.

Sinais de alerta devem ser observados

Quando a cardiopatia não é identificada durante a gestação ou logo após o nascimento, alguns sinais podem indicar a necessidade de investigação médica.

Entre os principais sintomas estão dificuldade para ganhar peso, cansaço durante as mamadas, respiração acelerada, coloração arroxeada nos lábios e extremidades, além de episódios frequentes de falta de ar.

Em crianças maiores, sintomas como dor no peito, palpitações e intolerância à prática de atividades físicas também merecem atenção.

Especialistas orientam que pais e responsáveis mantenham o acompanhamento pediátrico regular e procurem avaliação médica diante de qualquer alteração persistente.

Tratamento permite vida normal

Com os avanços da medicina, muitas cardiopatias congênitas podem ser corrigidas por meio de um único procedimento. Em outros casos, são necessárias cirurgias e acompanhamentos ao longo da infância e da vida adulta.

Segundo especialistas, quando o diagnóstico é realizado precocemente e o tratamento ocorre de forma adequada, as chances de o paciente desenvolver uma vida normal são muito altas.

Atualmente, pessoas com cardiopatias congênitas conseguem estudar, trabalhar, praticar atividades físicas, formar famílias e manter boa qualidade de vida, desde que realizem acompanhamento médico regular.

SUS oferece diagnóstico e tratamento gratuitos

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento integral para pacientes com cardiopatias congênitas, desde o pré-natal até procedimentos de alta complexidade.

Entre os principais serviços oferecidos estão o ecocardiograma fetal, recomendado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, o Teste do Coraçãozinho, realizado nos recém-nascidos entre 24 e 48 horas de vida, além de consultas especializadas, exames e cirurgias quando necessárias.

A conscientização sobre a doença e a ampliação do acesso ao diagnóstico continuam sendo fundamentais para reduzir a mortalidade infantil e garantir mais qualidade de vida às crianças e suas famílias.


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