Campo Grande (MS), Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

SAÚDE / TIREOIDE EM ALERTA

Mulheres acima dos 40 anos concentram maior número de alterações na tireoide

Levantamento aponta que 85% dos diagnósticos ocorrem em mulheres e reforça a importância da prevenção e do acompanhamento médico

10/06/2026

07:45

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Dados da FIDI mostram crescimento na identificação de alterações na tireoide, especialmente entre mulheres com mais de 40 anos. @Divulgação

As mulheres com mais de 40 anos concentram a maior parte dos diagnósticos de alterações na tireoide no Brasil. O alerta é reforçado por um levantamento da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), que identificou 179.152 exames com alterações na glândula realizados entre 2021 e 2025 em unidades de diagnóstico por imagem.

Segundo os dados, cerca de 85% dos casos ocorreram em pacientes do sexo feminino, mantendo uma proporção de aproximadamente seis mulheres diagnosticadas para cada homem. A maior concentração de registros foi observada entre os 40 e 65 anos de idade, com pico próximo aos 60 anos.

A tireoide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço e desempenha papel fundamental na produção de hormônios responsáveis pelo controle do metabolismo, crescimento e funcionamento de diversos órgãos do corpo. Quando apresenta alterações, pode provocar sintomas que muitas vezes são confundidos com estresse, envelhecimento ou mudanças hormonais naturais.

Entre os sinais mais comuns estão cansaço excessivo, sonolência, ganho ou perda de peso sem explicação, queda de cabelo, palpitações cardíacas e alterações intestinais.

De acordo com o médico radiologista, ultrassonografista e especialista em tireoide da FIDI, Harley De Nicola, o hipotireoidismo é a alteração mais frequente.

“O hipotireoidismo é mais comum porque existe uma predisposição biológica. Quando ocorre alguma alteração, é mais fácil a glândula perder a função do que produzir hormônios em excesso”, explica.

A condição costuma estar associada a doenças autoimunes, principalmente à tireoidite de Hashimoto, considerada uma das principais causas da redução da atividade da glândula.

Câncer de tireoide exige atenção

Além das alterações hormonais, a tireoide também merece atenção devido à incidência de câncer. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 16.450 novos casos da doença em 2026.

Desse total, aproximadamente 13.310 casos são esperados entre mulheres e 3.140 entre homens, mantendo o câncer de tireoide entre os mais frequentes no público feminino.

Apesar dos números, especialistas ressaltam que a maioria dos casos apresenta excelente prognóstico, especialmente quando identificados precocemente.

“Muitos tumores são descobertos em estágios iniciais e possuem baixa agressividade. A maioria dos cânceres de tireoide tem altas taxas de cura”, afirma Harley De Nicola.

Nódulos nem sempre significam câncer

Os especialistas também alertam para um dos principais mitos relacionados à glândula. Embora os nódulos sejam bastante comuns, a maioria deles não representa câncer.

Estudos apontam que cerca de metade da população pode apresentar algum nódulo na tireoide ao longo da vida. Entretanto, apenas aproximadamente 5% desses casos são malignos.

Segundo a FIDI, houve aumento na identificação de nódulos classificados como suspeitos pela escala TI-RADS, utilizada para avaliar o risco de malignidade. Os registros passaram de cerca de 5 mil casos em 2021 para mais de 13 mil em 2025.

Esse crescimento está relacionado ao avanço dos exames de imagem e ao aprimoramento dos critérios diagnósticos.

Mulheres precisam de atenção redobrada

Os especialistas destacam que as mulheres possuem maior predisposição genética para desenvolver doenças da tireoide e também apresentam maior incidência de enfermidades autoimunes.

Além disso, muitos sintomas podem ser confundidos com alterações hormonais típicas da menopausa, dificultando o diagnóstico precoce.

Entre os sinais que merecem investigação médica estão rouquidão persistente, presença de nódulos endurecidos no pescoço, aumento de gânglios cervicais e histórico familiar da doença.

Diagnóstico precoce faz diferença

A ultrassonografia continua sendo uma das principais ferramentas para identificar alterações na tireoide e acompanhar a evolução dos casos. Quando necessário, o médico pode solicitar exames laboratoriais e outros procedimentos para confirmar o diagnóstico.

Para a diretora de Dados da iHealth, Karlyse C. Belli, o uso de dados em larga escala permite compreender melhor o perfil dos pacientes e aprimorar as estratégias de cuidado.

Já os especialistas reforçam que observar os sinais do corpo e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes continua sendo a melhor forma de prevenir complicações e garantir tratamento adequado quando necessário.

Com diagnóstico precoce e acompanhamento regular, a maioria das doenças da tireoide pode ser controlada com sucesso, proporcionando qualidade de vida e reduzindo riscos à saúde.


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