Campo Grande (MS), Terça-feira, 31 de Março de 2026

CRÉDITO MAIS CARO

Juros do cartão de crédito disparam e pesam no bolso das famílias em fevereiro

Taxa do rotativo ultrapassa 435% ao ano e eleva custo do crédito, aponta Banco Central

31/03/2026

07:00

REDAÇÃO

Cartão de crédito rotativo segue como uma das modalidades mais caras do mercado @Divulgação

Os juros do cartão de crédito voltaram a pressionar o orçamento das famílias em fevereiro, com destaque para a alta da modalidade rotativa. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a taxa média de juros nas concessões de crédito livre para pessoas físicas chegou a 62% ao ano, com aumento de 1 ponto percentual no mês e de 5,4 pontos percentuais em 12 meses.

O principal impacto veio do cartão de crédito rotativo, cuja taxa subiu 11,4 pontos percentuais no mês, atingindo 435,9% ao ano, uma das mais elevadas do mercado. Essa modalidade é utilizada quando o consumidor paga apenas parte da fatura, gerando a incidência de juros sobre o valor restante.

Apesar das medidas adotadas desde 2024 para limitar a cobrança do rotativo, os juros ainda permanecem elevados, já que as regras não interferem nas taxas definidas no momento da contratação do crédito.

Após 30 dias no rotativo, a dívida costuma ser parcelada pelas instituições financeiras. Nesse caso, o chamado cartão parcelado também apresentou alta, com juros de 200,2% ao ano, após elevação de 5,3 pontos percentuais no mês.

No cenário geral, considerando famílias e empresas, a taxa média de juros das concessões atingiu 33% ao ano em fevereiro, acompanhando o comportamento da Taxa Selic, que está em 14,75% ao ano. A taxa básica é definida pelo Comitê de Política Monetária e utilizada como principal instrumento de controle da inflação.

Com o crédito mais caro, o impacto no endividamento também se torna evidente. A inadimplência, que considera atrasos superiores a 90 dias, subiu para 4,3% em fevereiro, sendo 5,2% entre pessoas físicas.

O endividamento das famílias permanece elevado, alcançando 49,7% da renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento da renda com pagamento de dívidas chegou a 29,3%, indicando que uma parcela significativa do orçamento doméstico está direcionada ao pagamento de empréstimos.

Os dados reforçam a necessidade de atenção no uso do crédito, especialmente no cartão, considerado uma das linhas mais caras. Especialistas recomendam evitar o pagamento mínimo da fatura e priorizar a quitação total para reduzir os impactos dos juros no orçamento familiar.


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