SAÚDE OCULAR
Semana Mundial do Glaucoma alerta para diagnóstico precoce e prevenção da cegueira
Especialistas destacam que doença evolui de forma silenciosa e pode causar perda irreversível da visão
13/03/2026
08:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Campanha mundial busca conscientizar a população sobre os riscos do glaucoma e a importância de consultas oftalmológicas regulares @Divulgação
A Semana Mundial do Glaucoma, realizada entre os dias 8 e 14 de março, chama a atenção para uma doença que pode comprometer de forma permanente a visão. Com o tema “Unidos por um Mundo Livre do Glaucoma”, a campanha é promovida pela World Glaucoma Association e tem como objetivo conscientizar a população sobre os riscos da doença e a importância do diagnóstico precoce.
O alerta é especialmente relevante no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma indicam que mais de 2,5 milhões de brasileiros convivem com a doença. O mais preocupante, segundo especialistas, é que cerca de 70% das pessoas afetadas não sabem que têm glaucoma.
De acordo com o oftalmologista Homero Gusmão, especialista em glaucoma e catarata do Instituto de Olhos de Belo Horizonte, o desconhecimento sobre a doença é um dos principais obstáculos para evitar a perda visual.
“O glaucoma é uma doença que evolui de forma silenciosa. Na maioria das vezes, o paciente não sente dor nem percebe alterações visuais no início e, quando os sintomas aparecem, já pode haver comprometimento importante da visão”, explica.
O especialista ressalta que o glaucoma é considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Diferentemente de outras doenças oculares, a perda visual provocada pelo glaucoma não pode ser recuperada.
“Identificar a doença precocemente é fundamental para preservar a visão e evitar que a cegueira se instale”, afirma o médico.
Esse caráter silencioso faz com que muitas pessoas convivam com o problema por anos sem perceber. Segundo o oftalmologista, o glaucoma afeta o nervo óptico de forma progressiva e, como a evolução costuma ser lenta, o cérebro se adapta às mudanças no campo visual nas fases iniciais.
Por esse motivo, consultas oftalmológicas regulares são consideradas essenciais, mesmo quando a pessoa acredita estar enxergando normalmente.
Entre os principais fatores de risco estão pressão intraocular elevada, histórico familiar da doença, idade avançada e algumas condições sistêmicas. Pessoas que têm parentes próximos com glaucoma devem redobrar a atenção.
“Nesses casos, o acompanhamento periódico com o oftalmologista é ainda mais importante”, orienta o especialista.
O diagnóstico costuma ocorrer durante consultas oftalmológicas de rotina, por meio de exames que incluem a medição da pressão intraocular, análise do nervo óptico e testes específicos que permitem identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas.
Quando a doença é detectada precocemente, o tratamento pode reduzir significativamente o risco de perda visual. Na maioria dos casos, a abordagem inicial envolve o uso de colírios que ajudam a controlar a pressão intraocular.
Dependendo da evolução do quadro, também podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias.
“O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado quando diagnosticado e acompanhado corretamente”, explica o oftalmologista.
A Semana Mundial do Glaucoma reforça justamente essa mensagem de prevenção. Segundo o especialista, muitas pessoas procuram o oftalmologista apenas quando já apresentam dificuldade para enxergar, o que pode ser tarde no caso dessa doença.
“Cuidar da saúde ocular, realizar consultas periódicas e conhecer os fatores de risco são atitudes que podem fazer toda a diferença para preservar a visão ao longo da vida”, conclui o médico.
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